Eliot Tosta está cheio de trabalhos entre Brasil e a Europa. O ator pode ser visto atualmente na quarta temporada da série “Arcanjo Renegado”, no Globoplay, no filme “Asa Branca — A Voz da Arena”, em cartaz nos cinemas, e na novela “Terra Forte”, exibida em Portugal. Nos próximos meses serão lançados outros projetos brasileiros dos quais ele faz parte: a sexta temporada de “Impuros”, da Disney+, e o filme “Por um fio”, sobre a vida de Dráuzio Varella.
O artista, que tem 37 anos de idade e 16 de carreira, mora desde 2019 em Madri, na Espanha, onde atuou e produziu projetos como o espetáculo “Mi tio Paula” e na série “Santo”, da Netflix.
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Atualmente, Eliot Tosta ainda investe na carreira de agente artístico, tendo fundado a E.T. Agenciamento, onde representa talentos nacionais e internacionais voltados para o mercado brasileiro. Como ator, pode ser visto no streaming europeu na premiada série espanhola “Los años nuevos” e na web-série “Célia & César”, da qual fez o roteiro, a direção e a produção. O projeto, aliás, está disponível no Instagram (@celiaycesar) e recebeu três indicações para o Rio Web Festival 2024.
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Em bate-papo para IstoÉ Gente, o artista brasileiro que está fazendo sucesso com o folhetim em terras lusitanas falou sobre a atual fase da carreira e os próximos projetos.
Você está fazendo a novela “Terra Forte”, em Portugal. Como tem sido a experiência de atuar no país?
Eu já vinha “namorando” Lisboa há algum tempo. Sempre que passava por lá, me sentia em casa. Mesmo sendo outro país — e sendo, sim, diferente em muitos aspectos — havia algo de muito familiar, quase uma memória afetiva. Acho que isso vem da influência da minha avó Edith e da minha família, de onde vem minha nacionalidade portuguesa. Então, posso dizer que essa experiência tem sido cheia de afetos. O elenco com o qual trabalhei — em grande parte português — me acolheu de um jeito muito generoso, me fazendo sentir em casa desde o início. Eu não acompanhava muito as produções portuguesas, com exceção de “Rabo de Peixe”, que vi na Netflix e adorei. A partir daí, comecei a pesquisar mais sobre o mercado lusitano e a me inteirar das oportunidades. Teve um dia em que mandei uma foto de bastidores para um amigo português que acompanha a novela, e ele respondeu: “Tás no meio de três dos melhores atores de Portugal. As trutas todas”. Eu respondi: “Tô pedindo a bênção”. E era verdade. Tive a sorte de contracenar bastante com Victor Norte, Ricardo Carriço e José Wallenstein — verdadeiras lendas da televisão portuguesa.
Há diferenças entre os sets do Brasil, de Portugal e da Espanha, onde você mora e já trabalhou?
Os sets por onde passei, em diferentes países, seguem um formato hierárquico bastante parecido. O trabalho é sistematizado, então, organizacionalmente, eles se assemelham muito. O que muda — e muda bastante — é o material humano. Ou seja, a estrutura é semelhante, mas o “recheio” muda completamente. As pessoas que compõem esses ambientes, vindas de culturas e realidades diferentes, fazem toda a diferença. No set português, apesar de termos muitos brasileiros e falarmos a mesma língua, existem particularidades. O próprio sotaque exige atenção para não dar nenhuma bola fora — seja por não compreender algo, seja por palavras que têm significados diferentes. Na Espanha, acontece algo parecido: o sistema é semelhante, mas a textura vem das pessoas. Uma coisa que noto nos sets europeus, de modo geral, é que eles são muito práticos — às vezes até rápidos demais. Acho que isso vem de uma objetividade muito direta. É pá pum.
Você pode ser visto atualmente no Brasil na série “Arcanjo Renegado”, do Globoplay, e em “Santo”, da Netflix, e também aguarda a estreia de outros projetos no streaming. Tem vontade de fazer novelas brasileiras? Acredita que elas ainda são fundamentais para o artista nacional ganhar destaque?
Tenho muita vontade de fazer novelas brasileiras. Filmes, séries, streaming, teatro — tudo! Mas a novela ocupa um lugar muito especial no meu imaginário infantil. De onde eu venho, só era considerado ator ou atriz quem estava na televisão. Então, mesmo fazendo teatro amador, quando eu via uma novela com crianças, pensava: “como foi que essa criança foi parar aí?”. Essa vontade vem daí. As novelas fizeram parte do meu imaginário e influenciaram toda uma geração. E uma coisa que percebo, morando fora, é o quanto a nossa teledramaturgia é forte. Hoje temos plataformas que fazem o conteúdo nacional atravessar fronteiras, mas, antes mesmo disso, quantas pessoas eu conheci ao longo da vida que, quando descobrem que sou brasileiro, citam novelas, personagens e até textos inteiros. Isso dá um orgulho imenso. Pessoas de outras partes do mundo conhecem personagens que, às vezes, nem eu lembrava mais — mas que marcaram profundamente a vida delas. Aí penso: “Olha o caminho que esse produto fez!”. Se ele causa esse impacto fora do país, imagino que, sim, que a novela ainda é um grande aliado para um artista nacional ganhar destaque.
Artistas e produções brasileiras têm ganhado muito destaque internacional recentemente. Você sente que isso impacta as carreiras de atores brasileiros no exterior?
Existe, sim, uma percepção crescente. Parece algo que sempre esteve ali, mas talvez não estivesse tão em evidência. Pode ser cíclico ou, de fato, um novo momento. Com todo respeito às outras nacionalidades, mas o brasileiro “tem o molho” — risos. Mesmo antes desse período de maior destaque, o que eu notava é que, quando chegávamos, sempre existia um diferencial: o carisma, a entrega, a malemolência para resolver as coisas. Viemos de um país onde trabalhar com arte e cultura muitas vezes é feito de forma precária. Isso nos ensinou a entregar o nosso melhor com os recursos que temos — e isso gera qualidade. Também nos preparamos muito. Comigo passou que muitas vezes o perfil buscado não era brasileiro, mas quando a oportunidade aparecia, a gente ia lá e dava o nome. Então, acredito que essa ascensão das produções brasileiras abre os olhos do mercado internacional não só para atores, mas também para diretores, assistentes, caracterizadores, técnicos. Isso nos impacta diretamente e amplia as possibilidades de internacionalizar ainda mais nossas produções. Temos muitas histórias, narrativas, potências visuais e culturais. Espero que essa percepção cresça cada vez mais.
Antes, as oportunidades muitas vezes surgiam por sorte. Hoje, com o crescimento das produções brasileiras, surge também uma curiosidade — e, com ela, caminhos e possibilidades para conhecerem melhor o nosso molho.
Você também atua como agente artístico. Como é administrar carreiras, inclusive a sua?
A ET. Agenciamento surgiu no ano passado, depois de muita reflexão e estudo sobre as possibilidades reais de administrar não só a minha carreira, mas também a de outros talentos. Eu tinha receio de começar a agenciar e deixar o Eliot ator de lado, mas logo entendi que uma coisa não anula a outra — pelo contrário, potencializa. As oportunidades que antes buscava apenas para mim, sigo buscando, mas agora tenho muito mais a oferecer do que apenas o meu perfil. Desenvolvi materiais de referência para os meus agenciados e venho trabalhando junto com atores e atrizes incríveis. Formamos uma cartela potente, com profissionais vindos do teatro, do audiovisual, com experiências nacionais e internacionais, já pensando nessa globalização dos projetos brasileiros. Claro que existem muitos desafios. Aí entra a minha primeira formação em administração de empresas e marketing, além de um time extremamente capacitado e especial. Quando conseguimos um teste para um talento da ET Agenciamento, a felicidade é a mesma — ou até maior — do que quando consigo algo para mim. Estamos apresentando esses talentos ao mercado e espero que, em breve, vocês possam ver esses rostos também no audiovisual brasileiro.
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