Brasileiros do Ano 2019

Ator de cinema, teatro e televisão, dramaturgo, humorista, diretor, apresentador, músico e escritor, Jô é um genuíno polímata à brasileira

Crédito:  Ricardo Martins

Brasileiros do ano – Cultura – Jô Soares

Aos 81 anos, o carioca José Eugênio Soares fez praticamente de tudo em quase todas as vertentes das artes performáticas. Talvez a exceção seja a dança – mas será que nunca fez balé? A exemplo de Leonardo da Vinci, que se dedicou a várias disciplinas, pode ser chamado de polímata à brasileira. Mas todo mundo o conhece mesmo é como apresentador de televisão, gênero em que inaugurou o formato de talk show no Brasil. De 1988 a 1999, esteve à frente do “Jô Soares onze e meia”, no SBT. Na Globo, durante 16 anos, entrevistou centenas de pessoas no “Jô Soares onze e meia”.

Antes, fez humor em programas de grande audiência na Globo, como “Faça amor, não faça guerra”, “Satiricom”, “Planeta dos homens” e “Viva o gordo”. Também marcou época vivendo o hilariante mordomo Gordon, no programa “Família Trapo”, na TV Record, de 1967 a 1971. Começou no cinema bem antes, em papéis cômicos, como a estreia como jornaleiro na chanchada da Atlântida “O rei do movimento”, em 1954. Até 2013, participou de 24 filmes, entre ficção e documentários.

Engana-se quem pensa que acabou. De 1985 a 1994, escreveu três livros de humor. A partir do romance “O xangô da Baker Street”, em 1985, e enveredou com sucesso pela carreira de romancista, o que lhe rendeu prêmios importantes. Vieram mais três romances: “O homem que matou Getúlio Vargas”, 1998, “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras”, 2005, e “As esganadas”, em 2011. Como se não bastasse, publicou uma portentosa autobiografia, em dois volumes e quase mil páginas: “O Livro de Jô”.

Projetos a perder de vista

Planeja montar em 2020 uma peça, “Gasslight”, baseada em um filme de suspense dos anos 1940. Até o fim do ano, promete o romance “O centauro de luvas,” inspirado na segunda visita da atriz francesa Sarah Bernhard ao Brasil, no final do reinado de dom Pedro II. “Quando ela chega, acontece uma série de crimes que vitimam antigos generais da Guerra do Paraguai”, adianta ele à ISTOÉ.

“Trabalhar é maneira que eu melhor me divirto”, diz. “Não levo isso como tarefa. Vou descobrindo coisas novas” Ele tem um passado brilhante, mas seu futuro parece inesgotável.