O senador Flávio Bolsonaro (PL) atingiu 61,2% das intenções de voto dos eleitores evangélicos para o primeiro turno da eleição presidencial, contra 23,3% do presidente Lula (PT). Os dados são de pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, 25.
O instituto mostrou filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com 55,3% no segmento, ante 25% do petista no mês de janeiro. O avanço em um mês superou a margem de erro da pesquisa, que é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos.
Para a comparação, utilizamos o mesmo cenário, em que Lula e Flávio enfrentam os governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), o líder do MBL Renan Santos (Missão) e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC).
O governo federal é desaprovado por 74,2% dos evangélicos, segundo a AtlasIntel, número que projeta as dificuldades que Lula terá para ganhar votos no grupo, que concentra 26,9% da população brasileira.
Ressaca de Carnaval
As entrevistas da pesquisa foram realizadas entre 19 e 24 de fevereiro, imediatamente após o Carnaval, quando a escola de samba Acadêmicos de Niterói desfilou em homenagem a Lula no Carnaval, com presença do mandatário na Marquês de Sapucaí (RJ), e apresentou uma ala que representou evangélicos, integrantes do agronegócio e defensores dos “valores tradicionais da família” de forma pejorativa.

Apresentação da ala enviada pela agremiação à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro)
Como mostrou a IstoÉ, pastores, pesquisadores da religião e parlamentares evangélicos — mesmo mais próximos do governo — entenderam que a representação gerou desgaste político para Lula e o PT. Governistas negaram.
O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), pastor da Assembleia de Deus Madureira, afirmou que houve “arrogância” e incapacidade de falar fora da “bolha” por parte do Palácio do Planalto.
Para Vinícius do Valle, autor do livro “Entre a religião e o lulismo” (Editora Recriar, 2019) e ex-diretor do Observatório Evangélico, o desfile acenou a “uma base convertida, que vê com maus olhos segmentos sociais refratários ao PT”, mas “para os evangélicos que o presidente precisa atrair, o efeito foi desastroso”.
Alexandre Gonçalves, pastor da Igreja de Deus que participou de campanhas eleitorais como conselhero, disse que jamais teria indicado o mandatário a ir ao desfile. “É um segmento onde Lula sempre teve rejeição elevada, conseguiu reduzi-la ao longo de seus governos, mas ela voltou a ser alta. Ele só tinha a perder”, disse à IstoÉ.

Criticada por pastores evangélicos, ala da Acadêmicos de Niterói satirizou ‘família conservadora’