Ativistas brasileiro e espanhol são levados a Israel para interrogatório

Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram interceptados em flotilha que se dirigia à Faixa de Gaza; chancelaria israelense alega vínculos com organização ligada ao Hamas

Ativistas da Flotilha Global Sumud desembarcam de uma embarcação da Guarda Costeira Grega, após serem interceptados pela Marinha israelense em águas internacionais, no porto de Atherinolakkos, na ilha de Creta, em 1º de maio de 2026
Ativistas da Flotilha Global Sumud desembarcam de uma embarcação da Guarda Costeira Grega, após serem interceptados pela Marinha israelense em águas internacionais, no porto de Atherinolakkos, na ilha de Creta, em 1º de maio de 2026 Foto: COSTAS METAXAKIS / AFP

O ativista brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abu Keshek, interceptados na última quinta-feira quando se dirigiam com a flotilha Global Sumud rumo à Faixa de Gaza, já estão em Israel para serem interrogados, informou a chancelaria israelense neste sábado, 2.

“Chegaram a Israel. Serão transferidos a fim de serem interrogados pelas autoridades”, acrescentou o ministério israelense das Relações Exteriores.

Na sexta-feira, Brasil e Espanha protestaram após vir à tona a informação de que os dois ativistas seriam enviados a Israel, que os acusa de ter vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA, na sigla em inglês), uma associação acusada pelos Estados Unidos e por Israel de trabalhar por conta do Hamas.

“Ambos receberão uma visita consular dos representantes de seus respectivos países em Israel”, assinalou a chancelaria em uma postagem no X.

O ministério lembrou que a PCPA está sob sanções dos Estados Unidos e acrescentou que Abu Keshek é “um membro de destaque”, e que Ávila “trabalha” com a mesma e é “suspeito de atividades ilegais”.

Em seu site na internet, o Departamento do Tesouro americano afirmou, em janeiro, ao anunciar as sanções contra a PCPA, que esta está por trás da expedição de outra flotilha, que em outubro tentou romper o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza, e que também foi interceptada pelas forças israelenses.

O Tesouro americano sustenta que esta organização tem como objetivo que o Hamas “expanda clandestinamente sua influência política, por meio de um grupo que supostamente representa os interesses da diáspora palestina”.

Thiago Ávila e Saif Abu Keshek faziam parte da flotilha humanitária Global Sumud que, com mais de 50 embarcações, partiu de diferentes portos de Itália, França e Espanha rumo a Gaza.

As forças israelenses interceptaram, na quinta-feira, mais de 20 embarcações e com elas, 175 ativistas.

Todos eles, com exceção do brasileiro e do espanhol-palestino, foram levados na sexta-feira para a ilha de Creta pela guarda-costeira grega, para serem devolvidos a seus respectivos países.