Atividade econômica do Brasil cresce em novembro no ritmo mais forte desde fevereiro, aponta BC

Atividade econômica do Brasil cresce em novembro no ritmo mais forte desde fevereiro, aponta BC

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) – A atividade econômica brasileira voltou a crescer em novembro depois de quatro quedas seguidas e no ritmo mais forte desde fevereiro, apontando para alguma retomada no fim de 2021, de acordo com dados do Banco Central.

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) teve alta de 0,69% em novembro na comparação com outubro, segundo dado dessazonalizado informado pelo Banco Central nesta segunda-feira.

O resultado foi o primeiro no azul desde junho, e o mais forte desde a alta de 1,67% vista em fevereiro de 2021. O dado de novembro ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,65%%.

O BC ainda revisou para cima o resultado de outubro para uma queda de 0,28%, de recuo de 0,4% informando anteriormente.

Apesar do resultado positivo em novembro, os dados do IBC-Br mostram um vaivém no desempenho econômico, com cinco meses apresentando resultado positivo e seis, com quedas mensais.

“Apesar da alta, a perspectiva para a economia continua preocupante. O aperto das condições monetárias junta-se ao avanço da variante Ômicron e deve impactar negativamente tanto a indústria quanto serviços”, afirmou em nota Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco digital Modalmais.

Na comparação setembro de 2020, o IBC-Br registrou alta de 0,43%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um avanço de 4,30%, de acordo com números observados.

O avanço da vacinação contra a Covid-19 favoreceu a economia brasileira, principalmente o setor de serviços, mas o cenário vem sendo impactado pela inflação muito elevada, que levou o BC a intensificar o aumento dos juros, levando a Selic aos atuais 9,25%, o que restringe o crescimento.

O IPCA fechou 2021 com alta acumulada de 10,06%, estourando com força o teto do objetivo oficial, que era de 3,75% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Isso em meio a interrupções na cadeia de oferta global e falta de matéria-prima, alguns dos motivos que levaram a indústria nacional a apresentar queda de produção em novembro pelo sexto mês seguido.

Mas os últimos dados de varejo e serviço ajudaram a melhorar a perspectiva para o fim de 2021.

As vendas de supermercados ajudaram o varejo no Brasil a registrar crescimento inesperado em novembro de 0,6%, enquanto o volume de serviços avançou 2,4%, muito mais do que o esperado.

No entanto, a disseminação da variante Ômicron do coronavírus traz incertezas para as perspectivas, em um ano eleitoral.

“Esperamos que alguns dos setores de serviços ainda impactados pela Covid-19 se recuperem mais nos próximos meses…Entretanto, a onda da Ômicron, a inflação alta, o aumento dos juros, o ruído político elevado e a mudança incipiente no ciclo de crédito devem gerar ventos contrários à atividade no curto prazo”, alertou o diretor de pesquisas econômicas para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos.

A pesquisa Focus realizada pelo BC com uma centena de economistas aponta que a expectativa é de que o PIB tenha crescido 4,50% em 2021, indo a 0,29% em 2022.

tagreuters.com2022binary_LYNXMPEI0G0EA-BASEIMAGE