Ataques russos noturnos à Ucrânia resultaram em pelo menos 16 mortos, com vítimas em Kiev e na cidade portuária de Odessa, e 107 feridos, enquanto as negociações de paz para o conflito que se estende por quatro anos permanecem estagnadas. A ofensiva, uma das mais letais das últimas semanas, foi amplamente condenada por líderes internacionais.
+ Ataques russos matam cinco pessoas na Ucrânia
O que aconteceu
- Ataques russos causam 16 mortes na Ucrânia, com foco em Kiev e Odessa, e deixam 107 feridos em uma escalada da violência.
- O conflito, que já dura quatro anos, persiste com negociações de paz paralisadas, e a Rússia intensifica seus bombardeios noturnos e diurnos.
- Líderes ucranianos e europeus criticam veementemente a agressão russa, enquanto Volodimir Zelensky busca ativamente reforçar alianças estratégicas de defesa.
Os ataques com mísseis e drones, que se configuram entre os mais mortíferos das últimas semanas, causaram ainda pelo menos 107 feridos em todo o país, conforme informaram as autoridades de diversas regiões, incluindo Kiev, Odessa (sul), Dnipropetrovsk (centro) e Kharkiv (leste).
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, denunciou o ocorrido como “um novo ataque atroz contra civis”. Em uma publicação na rede social X, ele afirmou que “a guerra de agressão executada pela Rússia contra a Ucrânia fracassou e, por isso, o país escolhe aterrorizar deliberadamente os civis”.
Desde o início do conflito, há quatro anos, o Exército russo ataca quase todas as noites o território ucraniano com mísseis e centenas de drones. Mais recentemente, as forças de Moscou intensificaram os bombardeios aéreos diurnos, ampliando a ameaça aos civis e à infraestrutura ucraniana.
A escalada dos ataques russos preocupa?
Em 24 horas, a Rússia lançou 659 drones e 44 mísseis, segundo dados da Força Aérea ucraniana, que afirmou ter interceptado 636 drones e 31 mísseis. A alta quantidade de armamentos reflete a persistência da agressão.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, declarou que a Rússia não merece “qualquer retirada de sanções”. “Moscou aposta na guerra”, escreveu ele no Facebook, enquanto as negociações entre os dois países para encerrar o conflito estão paralisadas desde o início dos bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã no fim de fevereiro.
Paralelamente, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou na quarta-feira que o país não prolongará a suspensão das sanções sobre o petróleo russo armazenado no mar. Essa medida havia sido adotada para mitigar o impacto do aumento dos preços do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio.
Quais são os impactos humanitários?
Dezenas de milhares de civis morreram na Ucrânia desde a invasão russa em fevereiro de 2022. Os recentes ataques apenas somam a um balanço já trágico e inaceitável.
Nesta quinta-feira, em Kiev, “quatro pessoas morreram, incluindo uma criança de 12 anos”, afirmou o prefeito da capital, Vitali Klitschko. Ele anunciou ainda um balanço de “45 moradores feridos, incluindo vários profissionais da área da saúde que atuavam no socorro às vítimas”.
Jornalistas da agência AFP relataram ter ouvido fortes explosões na cidade durante a noite e observaram grandes colunas de fumaça no centro durante o amanhecer, evidenciando a violência dos ataques.
“No distrito de Podilski, onde o primeiro andar de um prédio residencial desabou, uma criança foi resgatada dos escombros”, informou Klitschko, destacando o drama humano dos incidentes. No mesmo distrito, um drone colidiu contra um prédio de 18 andares, segundo o prefeito.
A busca por alianças estratégicas
A cidade de Odessa, onde pelo menos nove pessoas morreram, foi alvo de “várias ondas de ataques com mísseis e drones durante a noite”, informou o comandante da administração militar local, Sergui Lisak. Três pessoas morreram na região de Dnipropetrovsk em um ataque russo, anunciou o comandante da administração militar regional, Oleksandr Ganzha.
Do lado russo, uma adolescente de 14 anos e uma jovem adulta morreram em um ataque noturno com drones ucranianos contra a cidade portuária de Tuapse, às margens do Mar Negro, anunciou o governador regional Veniamin Kondratiev. O Ministério da Defesa russo, por sua vez, informou que os sistemas de defesa antiaérea interceptaram e destruíram 207 drones ucranianos durante a noite.
As negociações sob mediação dos Estados Unidos não conseguiram aproximar as partes beligerantes de um acordo e o processo está paralisado há várias semanas, gerando pessimismo quanto a uma solução diplomática a curto prazo.
Paralelamente, Zelensky tenta reforçar suas alianças, em especial com os países europeus. Na quarta-feira, o presidente ucraniano anunciou, ao lado da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o reforço da cooperação entre os dois países na área de defesa, em particular na produção de drones.
Na terça-feira, ele divulgou uma parceria estratégica de defesa e drones com a Alemanha e reforçou a cooperação nas mesmas áreas com a Noruega. “Precisamos de mísseis de defesa antiaérea, porque os russos continuam seus ataques diários contra nossas cidades”, escreveu na quarta-feira no X, sublinhando a urgência de apoio militar.
Com informações da AFP