Uma sequência de ataques contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, capital da Arábia Saudita, deixou ao menos 14 mortos e mais de 300 feridos durante o fim de semana. As ofensivas, reivindicadas pelos rebeldes houthis do Iêmen, provocaram incêndios, danos às instalações e a suspensão das operações aéreas.
O episódio mais grave ocorreu no sábado (10), quando um ataque deixou inicialmente 12 mortos e 309 feridos, segundo a Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita (GACA).
No domingo (11), a embaixada da Índia confirmou que um cidadão indiano morreu em decorrência dos ferimentos sofridos no ataque anterior, elevando o número de vítimas fatais daquele episódio para 13.
Ainda no domingo, um novo ataque atingiu o aeroporto e matou um cidadão paquistanês, além de deixar outras 11 pessoas feridas.
Com isso, o balanço dos dois dias chegou a pelo menos 14 mortos e 320 feridos, conforme os números divulgados até esta segunda-feira (12).
Ataque de sábado deixou centenas de feridos
De acordo com as autoridades sauditas, o ataque de sábado atingiu o Aeroporto Internacional Rei Khalid e provocou uma das ocorrências mais graves registradas no país nos últimos anos.
Entre as vítimas fatais identificadas inicialmente estavam quatro cidadãos sauditas, dois bengaleses e pessoas de nacionalidades norte-americana, egípcia, jordaniana, síria, palestina e sudanesa.
A autoridade de aviação informou que parte dos feridos apresentava estado de saúde grave e foi encaminhada para atendimento em diferentes hospitais.
O ataque também provocou danos materiais cuja extensão ainda está sendo avaliada.
Imagens divulgadas após as explosões mostram grandes colunas de fumaça escura nas proximidades das instalações aeroportuárias.
A intensidade dos incêndios e a necessidade de verificar as condições de segurança levaram as autoridades a interromper as atividades do terminal.
Novo ataque atingiu aeroporto no domingo
Menos de 24 horas depois, o aeroporto voltou a ser alvo de uma ofensiva.
Segundo a autoridade saudita de aviação civil, um projétil atingiu a região dos terminais 3 e 4, utilizados principalmente para voos domésticos.
O impacto provocou um incêndio e deixou um cidadão paquistanês morto, além de 11 feridos.
As autoridades informaram que as vítimas foram encaminhadas a hospitais e que equipes técnicas passaram a avaliar os danos e as condições de segurança da infraestrutura.
A sucessão de ataques ampliou a preocupação com a capacidade de proteção do espaço aéreo saudita.
Aeroporto suspende voos após ofensivas
As operações do Aeroporto Internacional Rei Khalid foram suspensas após o ataque de sábado.
Voos com destino à capital saudita precisaram ser desviados, enquanto companhias aéreas e passageiros aguardavam orientações sobre a retomada das atividades.
O aeroporto é uma das principais portas de entrada da Arábia Saudita e atende a região metropolitana de Riad, que reúne milhões de habitantes.
A interrupção afeta tanto passageiros em deslocamentos internacionais quanto viajantes que utilizam o terminal para conexões dentro do país.
A embaixada dos Estados Unidos na capital saudita recomendou que cidadãos norte-americanos evitassem o aeroporto e suas imediações diante dos riscos de novos ataques.
Até esta segunda-feira, as autoridades ainda realizavam avaliações sobre os danos e as condições necessárias para restabelecer as operações.
Houthis reivindicam ataques e ampliam tensão regional
Os rebeldes houthis, grupo armado que controla áreas do Iêmen e recebe apoio do Irã, reivindicaram a responsabilidade pelas ofensivas contra o aeroporto de Riad.
O grupo tem intensificado ataques contra instalações sauditas em meio à escalada dos confrontos no Iêmen e ao agravamento das tensões no Oriente Médio.
A Arábia Saudita apoia forças do governo iemenita internacionalmente reconhecido, que disputam territórios com os houthis.
Nos últimos dias, a intensificação das operações militares no Iêmen foi acompanhada de ataques contra instalações aeroportuárias e outras estruturas estratégicas sauditas.
As autoridades de Riad afirmaram que pretendem responder às ofensivas e responsabilizar os envolvidos.
Escalada preocupa países da região
Os ataques provocaram reações de governos estrangeiros e ampliaram as preocupações com a segurança do transporte aéreo no Golfo.
Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita divulgaram uma manifestação conjunta condenando as ofensivas contra o aeroporto.
A sequência de episódios também ocorre em um momento de instabilidade no mercado internacional de energia, diante dos conflitos envolvendo o Irã e das ameaças às rotas marítimas utilizadas para o transporte de petróleo.
O estreito de Bab el-Mandeb, próximo ao território iemenita, é considerado estratégico para a navegação comercial no Mar Vermelho.
Uma ampliação do confronto envolvendo os houthis e países da região pode aumentar os riscos para o transporte marítimo e para a infraestrutura energética.
Enquanto as autoridades sauditas investigam as circunstâncias dos ataques, equipes de emergência e profissionais de saúde continuam mobilizados para atender as vítimas e avaliar os prejuízos provocados pelas ofensivas.
Da IstoÉ