Ataques a navios e temor de guerra prolongada pressionam preço do petróleo

Ataques a navios e temor de guerra prolongada pressionam preço do petróleo

""taques atingiem navios mercantes no Golfo Pérsico, enquanto o Irã segue o bloqueio do estratégico estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo do mundo.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã a partir de 28/02 miraram lideranças iranianas e mataram o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei e vários chefes militares.
O Irã prometeu vingar a morte de Khamenei e lançou mísseis contra Israel e bases militares americanas, portos e aeroportos no Golfo Pérsico, atingindo países aliados dos EUA na região.
Um conselho interino foi formado para governar o Irã após a morte de Khamenei e até a eleição de um novo líder supremo, que ocorreu neste domingo (08/03). O escolhido foi Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei.
Israel conduz uma campanha de bombardeios contra Líbano, aprofundando o conflito no Oriente Médio. O governo israelense exige o desarmamento do Hezbollah, grupo armado alinhado ao Irã que mira áreas de Israel perto da fronteira.
O presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu a "rendição incondicional do Irã". Ele diz que foi procurado pela nova liderança iraniana, mas que agora "é tarde demais". Segundo ele, a ofensiva americana deve durar quatro ou mais semanas. O Irã descarta a possibilidade de se entregar.
No Golfo Pérsico, empresas petrolíferas suspenderam o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, que o Irã anunciou ter fechado. A medida pode ter impactos devastadores para a economia global.

Acompanhe abaixo os desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel e a resposta do Irã:

Ataques a navios e temor de guerra prolongada pressionam preço do petróleo
O preço do petróleo bruto Brent, principal referência do setor, voltou a cruzar momentaneamente nesta quinta-feira (12/03) a marca de US$ 100 após os ataques iranianos que atingiram navios mercantes nas águas do Golfo Pérsico, em meio a preocupações sobre interrupções no mercado global de energia.

Pela manhã, o preço cruzou a marca nos mercados asiáticos, mas teve um recuo. Horas depois, o preço havia recuado, mas ainda estava sendo negociado a cerca de US$ 97. Os preços têm sofrido oscilações desde o início do conflito, que nesta quinta-feira entrou no 13° dia.

Na quarta-feira, numa tentativa de acalmar as preocupações com o abastecimento de petróleo, a Agência Internacional de Energia (AIE), composta por 32 países, anunciou a maior liberação de reservas estratégicas da sua história. Mas o anúncio acabou sendo ofuscado pelos ataques generalizados do Irã a navios e instalações energéticas no Oriente Médio, além de crescentes temores no mercado de que o conflito se prolongue.

Nos últimos dias, vários navios mercantes foram atingidos na região do estreito de Ormuz, uma rota crucial para o mercado de energia global e por onde passa cerca de 20% do petróleo do mundo.

O Iraque suspendeu todas as operações nos seus portos petrolíferos após um ataque a dois petroleiros nas proximidades. Já o Bahrein pediu aos seus habitantes que ficassem em casa após um ataque iraniano a tanques de combustível na província de Muharraq.

Analistas alertam que os países árabes do Golfo enfrentam pressão crescente devido ao fechamento do estreito

Pankaj Srivastava, da Rystad Energy, aponta que os suprimentos de petróleo bruto estão na prática ficando retidos na região, dado que o estreito está efetivamente fechado devido aos ataques. O Bahrein e o Kuwait enfrentam o maior risco de interrupções.

"Com o fluxo de petróleo cada vez mais prejudicado no Golfo, as refinarias podem em breve ser forçadas a ajustar suas operações, reduzindo a produção à medida que as exportações estagnam e direcionando a produção exclusivamente para os mercados domésticos", disse Srivastava.

"Três fatores principais determinarão a resiliência dos sistemas de refino em todo o Golfo: contornar o estreito por meio de rotas alternativas de exportação, o equilíbrio entre a demanda doméstica por produtos e a capacidade de refino e as exportações de produtos como uma proporção da produção atual das refinarias", disse Srivastava.

jps (AP, ots)

Conselho de Segurança da ONU exige que o Irã interrompa ataques a vizinhos

O Conselho de Segurança da ONU adotou uma resolução exigindo o fim do "ataque flagrante" do Irã contra seus vizinhos no Golfo.

"O consenso internacional é firme ao rejeitar esses ataques iranianos contra países soberanos, que ameaçam a estabilidade dos povos – especialmente em uma região de importância estratégica para a economia global, a energia, a segurança e o comércio internacional", disse o embaixador do Bahrein na ONU, Jamal Alrowaiei.

A resolução também "condena quaisquer ações ou ameaças da República Islâmica do Irã destinadas a fechar, obstruir ou interferir de qualquer forma na navegação internacional pelo Estreito de Ormuz".

A resolução foi aprovada com 13 votos a favor e nenhum contra. Rússia e China se abstiveram.

O embaixador iraniano na ONU classificou a resolução como "politicamente motivada".

"A ação de hoje representa um uso indevido e flagrante do mandato do Conselho de Segurança, em prol das agendas políticas de certos membros – os mesmos Estados responsáveis pela guerra brutal de agressão contra meu país", disse Amir Saeid Iravani ao Conselho.

gq (DW)

Dezenas de navios alemães presos no Estreito de Ormuz
Cerca de 30 navios alemães, representando mais de dez companhias marítimas, estão presos no meio da zona de guerra no Golfo Pérsico, informou a Associação Alemã de Armadores (VDR) à revista econômica Wirtschaftswoche.

"Os navios mercantes são embarcações civis com tripulações desarmadas e dificilmente podem se proteger contra ataques militares", disse Carsten Duif, da VDR.

Novos ataques iranianos atingiram três navios mercantes no Golfo Pérsico nesta quarta-feira (11/03), enquanto o Irã segue o bloqueio do estratégico estreito de Ormuz.

Outra preocupação são as possíveis minas marítimas iranianas na região. A VDR pediu que a Alemanha se junte a outros países na coordenação de medidas defensivas para proteger os navios.

A Wirtschaftswoche informou que, embora a marinha alemã tenha navios para uso contra minas, atualmente não há planos para enviá-los à zona de conflito.

"No final das contas, vejo apenas uma solução diplomática para essa questão da passagem segura pelo Estreito de Ormuz, não uma solução militar", afirmou o ministro das Relações Exteriores alemão, Johann Wadephul, segundo a revista.

gq (DW)

Irã exige reparações para encerrar a guerra
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, apresentou as condições do lado iraniano para pôr fim à guerra com EUA e Israel, incluindo pagamento de reparações e garantias contra futuros ataques.

No X, ele escreveu que conversou com os líderes da Rússia e do Paquistão e "reafirmou o compromisso do Irã com a paz na região". "A única maneira de acabar com esta guerra – iniciada pelo regime sionista e pelos EUA – é reconhecer os direitos legítimos do Irã, pagar reparações e oferecer garantias firmes [internacionais] contra futuras agressões", afirmou.

gq (DW)

Países liberam reservas de petróleo para conter alta
A Agência Internacional de Energia (AIE) disse nesta quarta‑feira (11/03) que seus países‑membros vão desbloquear 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas para amenizar o impacto da guerra no Oriente Médio. Esta é a maior liberação da commodity já registrada na história da organização, que conta com 32 países-membros, a maioria deles nações ricas da Europa e também os EUA e Austrália, entre outros.

"O desafio que estamos enfrentando no mercado de petróleo é sem precedentes em escala, portanto fico muito satisfeito que os países‑membros da IEA tenham respondido com uma ação coletiva de emergência de tamanho igualmente inédito", afirmou o diretor‑executivo da AIE, Fatih Birol.

A injeção de petróleo no mercado supera os 182 milhões de barris que os países‑membros da entidade liberaram em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.

Leia mais

Irã não irá disputar Copa do Mundo, anuncia ministro
O ministro do Esporte iraniano, Ahmad Donyamali, descartou nesta quarta-feira (11/03) a participação da seleção masculina do Irã naCopa do Mundo de Futebol de 2026.

A decisão veio em meio à guerra desencadeada pelos Estados Unidos, co-anfitriões do evento, ao lado de Israel, levando à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei e ao alastramento do conflito em toda a região do Golfo.

"Considerando que este regime corrupto assassinou nosso líder, sob nenhuma circunstância podemos participar da Copa do Mundo”, disse o ministro à televisão estatal.

No sorteio realizado em dezembro passado, a seleção do Irã foi agrupada com Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Todas as três partidas do grupo estavam programadas para acontecer nos EUA – duas em Los Angeles e uma em Seattle. O torneio acontecerá nos Estados Unidos, México e Canadá de 11 de junho a 19 de julho.

O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, havia sugerido um boicote ao torneio após seis jogadoras da seleção feminina terem decidido ficar na Austrália após participarem da Copa Asiática de futebol.

Inicialmente, sete jogadoras decidiram não embarcar de volta ao Irã e receberam vistos humanitários permanentes do governo australiano. Uma, no entanto, mudou de ideia e pediu para retornar ao Irã.

Mehdi Taj afirmou à mídia estatal iraniana, na terça-feira, que as integrantes da seleção feminina teriam sido coagidas a permanecer na Austrália e acusou Trump de interferência, referindo-se às jogadoras como "reféns".

"Se as perspectivas para a Copa do Mundo de Futebol são essas, nenhuma pessoa sensata aceitaria enviar sua seleção nacional para um lugar assim", disse.

Leia mais

Irã ataca navios no Golfo Pérsico e mira aeroporto de Dubai
Novos ataques atingiram três navios mercantes no Golfo Pérsico nesta quarta-feira (11/03), enquanto o Irã segue o bloqueio do estratégico estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo do mundo.

No estreito, ao norte de Omã, um navio de carga foi atingido por um projétil e incendiado, de acordo com o Centro de Operações Marítimas do Reino Unido, administrado pelas Forças Armadas britânicas.

O centro também relatou um ataque a um navio de carga ao largo dos Emirados Árabes Unidos. A extensão dos danos ainda é desconhecida, mas está sendo investigada pela tripulação, informou o órgão. Outro navio foi atingido por um projétil no Golfo Pérsico, mas a tripulação está em segurança, segundo o monitoramento britânico.

Dois drones iranianos atingiram ainda as proximidades do Aeroporto Internacional de Dubai, o mais movimentado do mundo para viagens internacionais e sede da companhia aérea Emirates. Quatro pessoas ficaram feridas – mas as operações prosseguiram, informou o Gabinete de Imprensa de Dubai.

O Kuwait disse que suas defesas derrubaram oito drones iranianos, e a Arábia Saudita disse que interceptou cinco drones que se dirigiam ao campo petrolífero de Shaybah.

As defesas aéreas dos Emirados Árabes Unidos trabalharam para interceptar os ataques iranianos desde o início da manhã. O Bahrein também relatou ataques iranianos nesta quarta.

Campanha para pressionar EUA e Israel

Os bombardeios iranianos acontecem um dia após intensos ataques aéreos americanos contra alvos da marinha iraniana e a cidade portuária de Bandar Abbas. As Forças Armadas dos EUA disseram na terça ter destruído 16 navios minadores iranianos perto do Estreito de Ormuz. Esse tipo de embarcação tem a finalidade de lançar minas marítimas, suspeita que tem sido levantada pelos Estados Unidos.

A campanha do Irã para pressionar a região, em meio à guerra iniciada por Israel e EUA, inclui ataques a campos petrolíferos e refinarias em nações árabes do Golfo.

O comando militar conjunto do Irã anunciou ainda que começaria a atacar bancos e instituições financeiras no Oriente Médio, uma ameaça que colocaria em risco especialmente Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que abriga muitas instituições financeiras internacionais, assim como a Arábia Saudita e o reino insular do Bahrein.

O Conselho de Segurança da ONU deve votar nesta quarta-feira uma resolução condenando os ataques e exigindo que o Irã pare a ofensiva contra seus vizinhos árabes e ameaças contra os EUA.

Com o bloqueio do fluxo global de petróleo e gás natural, o aumento nos preços do petróleo tem abalado os mercados financeiros em todo o mundo. Os temores são de uma interrupção prolongada do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.

O preço do petróleo Brent, o padrão internacional, estava cerca de 20% superior aos níveis do início da guerra nesta quarta, e consumidores em todo o mundo já estão sentindo o impacto nos postos de gasolina.

sf (AFP, AP, OTS)

Guerra forçou 10% da população do Líbano a se deslocar
Quase 780 mil pessoas, incluindo mais de 200 mil crianças, tiveram que deixar suas casas no Líbano desde o início da guerra no Oriente Médio, segundo as mais recentes estimativas do Ministério de Assuntos Sociais libanês. O número equivale a cerca de 10% da população do país e se soma às milhares de pessoas já desalojadas em conflitos anteriores.

O conflito já deixou 570 mortos no país, segundo divulgou o Ministério da Saúde libanês nesta quarta-feira (11/03). Entre eles há 439 homens, 45 mulheres e 86 crianças. O total também inclui 14 profissionais de saúde, de acordo com a pasta, que não faz distinção entre civis e combatentes.

Do total de desalojados, cerca de 120 mil estão em abrigos públicos. Em Beirute, estruturas esportivas e prédios públicos estão sendo convertidos em abrigos improvisados. Relatos indicam que muitos deslocados deixaram suas casas a pé durante a madrugada, alguns levando apenas documentos e poucas peças de roupa.

O número de civis deslocados cresceu após os bombardeios realizados por Israel em bairros centrais da capital, Beirute, no Vale do Bekaa e em dezenas de lugares do sul do país. Nesta região, onde há tropas de Israel desde 2024, as forças armadas israelenses têm reforçado sua presença continuamente.

Nesta quarta, um ataque israelense atingiu um apartamento no bairro de Aicha Bakkar, no coração de Beirute, ferindo ao menos quatro pessoas e causando danos visíveis em dois andares de um edifício residencial.

O episódio marcou o segundo ataque ao centro de Beirute em quatro dias. No domingo anterior, um hotel no bairro de Raouche foi atingido, em uma ação que Israel afirma ter matado membros de alto escalão da Guarda Revolucionária Iraniana, organização que está nas origens da milícia Hezbollah, no início da década de 1980.

O avanço dos bombardeios está diretamente ligado à nova fase da guerra deflagrada após os ataques que mataram o então líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro. Em resposta, o Hezbollah lançou mísseis e drones contra Israel em 2 de março, ação que arrastou o Líbano para o conflito e desencadeou a atual campanha militar israelense no país.

Ataques aéreos têm sido registrados diariamente nos subúrbios do sul de Beirute, região conhecida como Dahiyeh, onde o Hezbollah exerce forte influência. Israel ordenou que todos os moradores desse setor deixassem a área, juntamente com habitantes do sul e partes do leste do Líbano.

A pressão militar aumentou também nas zonas fronteiriças, onde Israel reforçou tropas, incluindo a presença da Brigada Golani. O Hezbollah afirma ter realizado ataques contra soldados israelenses perto das cidades fronteiriças de Khiam, Odaisseh e Aitaroun, além de lançar foguetes em direção ao norte de Israel, inclusive contra um local de "defesa antimísseis" ao sul de Haifa.

A situação humanitária se agrava em meio ao inverno e ao mês do Ramadã, período em que grande parte da população muçulmana realiza jejum diário. Organizações humanitárias relatam escassez de alimentos, colchões e itens básicos para famílias com crianças.

A França anunciou o envio de 60 toneladas de ajuda emergencial, e a União Europeia começou a distribuir suprimentos no país.

sf/as (Reuters, AFP)

Novo líder supremo do Irã está "são e salvo", diz filho do presidente
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está "são e salvo", apesar dos relatos de ter sido ferido durante a guerra lançada por Israel e Estados Unidos, disse o filho do presidente iraniano nesta quarta-feira (11/03).

"Ouvi notícias de que o Sr. Mojtaba Khamenei havia sido ferido. Perguntei a alguns amigos que tinham conexões. Eles me disseram que, graças a Deus, ele está são e salvo", disse Youssef Pezeshkian, que também é assessor do governo, em postagem em seu canal no Telegram.

O novo líder supremo é filho e sucessor do líder anterior da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro durante bombardeio ao seu gabinete, no início da guerra. A esposa do novo líder também morreu nos ataques aéreos do dia 28.

Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é uma figura discreta que raramente aparece em público ou fala em eventos oficiais. Ele ainda não se dirigiu à nação nem emitiu uma declaração por escrito desde que foi declarado líder supremo, no domingo (08/03), o que alimentou as especulações sobre seu estado de saúde.

O New York Times afirmou, em reportagem publicada nesta quarta, que Khamenei foi ferido no primeiro dia dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã. Três pessoas do governo iraniano disseram ao jornal que o novo líder "sofreu ferimentos, inclusive nas pernas, mas que estava alerta e se refugiando em um local altamente seguro, com comunicação limitada".

A televisão estatal chamou Khamenei de "veterano ferido da guerra do Ramadã", mas não detalhou a gravidade de sua lesão.

sf/as (AP, AFP, Reuters)

Atualizações ao vivo encerradas
Leia mais sobre os desdobramentos do conflito de EUA e Israel contra o Irã aqui.

Irã acusa Israel de matar quatro diplomatas no Líbano
O Irã acusou Israel nesta terça-feira (10/03) de matar quatro dos seus diplomatas num ataque realizado no fim de semana contra um hotel à beira-mar em Beirute, capital do Líbano.

O Exército israelense havia anteriormente assumido a responsabilidade pelo ataque "contra importantes comandantes” da Força Quds, o braço de operações externas da Guarda Revolucionária iraniana.

Mais tarde nesta terça-feira, o embaixador do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU) acusou o Conselho de Segurança de ignorar o que chamou de "crime de guerra".

"O Conselho está fechando os olhos para essa grave violação, apesar de sua responsabilidade primária sob a Carta da ONU de manter a paz e a segurança internacionais", disse Amir Saeid Iravani a repórteres em Nova York.

Os Estados Unidos afirmaram que 140 soldados americanos ficaram feridos desde o início da guerra, incluindo oito com ferimentos graves.

ht (AFP, AP)

EUA miram capacidade do Irã de instalar minas no estreito de Ormuz
Os Estados Unidos afirmaram nesta terça-feira (10/03) ter eliminado 16 embarcações iranianas inativas de instalação de minas perto do Estreito de Ormuz.

O presidente Donald Trump pouco antes alertara a República Islâmica a não colocar minas na rota marítima, que serve para o escoamento do petróleo do Golfo. "Se, por qualquer motivo, minas forem colocadas, e não forem removidas imediatamente, as consequências militares para o Irã serão de um nível nunca visto antes."

Mais cedo, a CNN reportara que o Irã havia começado a colocar minas no Estreito de Ormuz, citando fontes anônimas familiarizadas com relatórios de inteligência dos EUA.

Segundo o governo iraniano, a via marítima permanecerá bloqueada enquanto continuar a guerra no Oriente Médio.

A Marinha dos EUA tem recusado pedidos quase diários da indústria naval por escoltas militares, afirmando que o risco de ataques é alto demais no momento, segundo fontes consultadas pela Reuters.

A navegação pelo Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra, impedindo a exportação de cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo. Os preços globais do petróleo dispararem para níveis não vistos desde 2022.

Um alto oficial da Guarda Revolucionária declarou que o Irã abrirá fogo contra qualquer navio que tentar passar, disse a mídia iraniana na semana passada.

ht (AFP, Reuters)

Israel cria orçamento especial bilionário para guerra contra Irã
Israel vai destinar um orçamento especial de dezenas de bilhões de shekels para gastos extras de defesa, a fim de financiar a guerra aérea contra o Irã, disseram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, em comunicado conjunto desta terça-feira (10/03). Um shekel equivale a R$1,67.

"Isso não é uma despesa, é um investimento", disse Smotrich, antes de uma reunião na qual o governo aprovaria formalmente o orçamento. O país afirma buscar destruir os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã, além de criar condições para que os iranianos derrubem o regime dos aiatolás.

Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na véspera que a ofensiva contra a República Islâmica "acabaria logo".

Já o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, negou que Israel queira uma guerra interminável com o Irã. Mas não ofereceu uma perspectiva para quando o conflito poderá chegar ao fim.

"Continuaremos até o minuto em que nós, e nossos parceiros, considerarmos apropriado parar", disse ele a repórteres, falando ao lado da sua contraparte alemã em Jerusalém. "Não devemos perder essa oportunidade com resultados parciais."

O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse mais cedo em Berlim que parecia não haver plano para encerrar a guerra rapidamente.

ht (Reuters)

Líbano tem mais de 100 mil deslocados em um único dia, diz ONU
Novos ataques de Israel atingiram os subúrbios no sul do Líbano e da capital, Beirute, nesta terça-feira (10/03), mesmo dia em que o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) contabilizou mais de 100 mil deslocados internos no país árabe num intervalo de 24 horas.

O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio na semana passada, depois que a milícia libanesa Hezbollah – classificada como organização terrorista por diversos países do Ocidente – disparou mísseis contra Israel em apoio ao regime iraniano, alvo de bombardeios americanos e israelenses desde 28 de fevereiro.

Israel, que manteve ataques contra o Hezbollah apesar do cessar-fogo de 2024, retaliou com ofensivas por todo o Líbano, expediu ordens de evacuação para o sul do país e enviou tropas terrestres para áreas de fronteira.

Em sete dias de conflito, autoridades libanesas contabilizam mais de 480 mortos nesta nova ofensiva, sendo 84 crianças, além de 759 mil deslocados internos.

A Acnur alertou nesta terça que o ritmo da atual taxa de deslocamento no Líbano está superando os níveis vistos durante a guerra de 2023-24 entre o Hezbollah e Israel, que no total teve 886 mil deslocados internos no Líbano.

O presidente libanês, Joseph Aoun, acusou o Hezbollah na segunda-feira de atuar pelo "colapso" do Estado e disse estar pronto para "negociações diretas" com Israel. Já o chefe do grupo no Parlamento, Mohamed Raad, prometeu "defender nossa existência a qualquer preço".

ra (AFP, Reuters)

Passagens aéreas sobem com alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio
A alta nos preços de combustíveis fósseis, consequência da guerra no Oriente Médio, está pressionando as companhias aéreas, que já começaram a repassar os custos ao consumidor.

O conflito, deflagrado em 28 de fevereiro com bombardeios de EUA e Israel ao Irã, levou o regime em Teerã a retaliar com o fechamento do Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o escoamento do petróleo produzido pelos países do Golfo.

Em tempos de paz, passariam pelo estreito 20% do petróleo mundial.

Apesar de sinalizações do presidente americano, Donald Trump, terem acalmado os mercados e freado a alta do petróleo, a commodity seguia sendo negociada nesta terça-feira (10/03) a preços aproximadamente 25% mais altos que antes do início da guerra.

No caso do combustível de aviação, o preço do barril chegou a oscilar entre 150 e 200 dólares – alta de até mais de 100% em relação aos 85-90 dólares antes do conflito.

A última vez que o insumo esteve tão caro foi em 2022, pouco depois de a Rússia – outro grande produtor de petróleo – invadir a Ucrânia.

Combustível é a segunda maior despesa das aéreas, perdendo apenas para despesas com pessoal, e geralmente responde por 20% a 25% dos custos operacionais.

Entre as aéreas que anunciaram aumento de preços ao consumidor nesta terça estão a australiana Qantas Airways, a escandinava SAS e a neozelandesa Air New Zealand, informou a agência de notícias Reuters.

Diversas aéreas asiáticas e europeias, inclusive a alemã Lufthansa e a low cost Ryanair, têm acordos com preços fixados de combustível de aviação no mercado futuro, para se proteger de oscilações de preço.

Mas a finlandesa Finnair, que assegurou mais de 80% de suas compras de combustível no primeiro trimestre desta forma, alertou que mesmo a disponibilidade do insumo poderia estar em risco caso o conflito no Oriente Médio perdure.

Alta também é motivada por outros fatores

Segundo o portal Euronews, essa alta nos preços das passagens poderia se estender até mesmo pelo verão europeu, que termina em setembro, e é motivada também pelas restrições à operação de grandes aéreas do Golfo, como Emirates, Etihad e Qatar Airways, que foram forçadas a cancelar milhares de voos em função do conflito.

Antes da guerra no Irã, uma passagem saindo dos aeroportos alemães de Munique ou Frankfurt com destino a Nova Déli, na Índia, saía por entre 600 e 800 euros (R$ 3,6 mil a R$ 4,8 mil). Agora, a mesma passagem pode custar até 2 mil euros (R$ 12 mil).

Conexões da Alemanha para outros destinos europeus, porém, não registraram altas extremas de preço.

Outro problema derivado do conflito no Oriente Médio que afeta as aéreas é a perda de espaço aéreo e subsequente sobrecarga de outras rotas, algo que já acontece desde a guerra na Ucrânia.

ra (Reuters, ots)