Ataques de 11 de setembro marcam a memória global

Relembre o dia que chocou o mundo e moldou uma geração, com a análise de especialistas e o aguardado julgamento do mentor dos atentados

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Em 11 de setembro de 2001, o mundo assistiu chocado aos atentados terroristas que derrubaram as Torres Gêmeas em Nova York e atingiram o Pentágono, na Virgínia. Orquestrados pela Al Qaeda, os ataques resultaram na morte de quase 3 mil pessoas e deixaram um trauma em escala global.

  • Os atentados de 11 de setembro de 2001 mataram quase 3 mil pessoas em Nova York, Virgínia e Pensilvânia.
  • Terroristas da Al Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais, lançando dois contra as Torres Gêmeas do World Trade Center e um no Pentágono.
  • As imagens transmitidas pela televisão geraram um trauma global, e o suposto mentor dos ataques, Khalid Sheikh Mohammed, será julgado em 2028.

Segundo o professor Eugênio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), as imagens das torres desabando, transmitidas repetidas vezes, geraram um trauma em escala global. A televisão, ao vivo, em uma época em que a internet não era tão difundida, prendeu o público pela repetição.

Bucci avalia que essa experiência “abriu uma ferida no olhar. Naquele dia, o olhar se tornou mutilado de guerra. O atentado conseguiu ferir todas as pessoas, tanto que todas as pessoas no mundo inteiro são capazes de se lembrar onde estavam quando tiveram notícia daquele acontecimento”.

O professor classifica a experiência como “tempo congelado”, tanto pela TV ao vivo, como pela exibição em plataformas digitais.

“A televisão ao vivo desenvolveu essa possibilidade, que é o congelamento do tempo. Se dá pela expansão de um segundo ou de poucos minutos em uma repetição que não cessa, toma horas, às vezes dias, e dá em todos os que estão conectados ali, dá essa relação distinta com o fluxo do tempo”, explica Bucci.

Testemunhos e consequências imediatas

A tragédia marcou a memória de pessoas de uma geração inteira. O empresário brasileiro Márcio Boruchowski trabalhava em um edifício perto das torres gêmeas e relata que o som do impacto dos prédios foi o mais marcante.

“Eu vi uma série de pessoas se jogando, como se fosse um incêndio. A demora para cair foi muito chocante, isso ficou para sempre. O barulho que se faz quando cai uma ou duas torres de 100 andares é o maior decibel. Pensa no maior barulho que você ouviu na sua vida e transforma isso em 1 minuto 40 segundos eternamente”, lembrou Boruchowski em entrevista para a TV Brasil.

Os aviões se chocaram a mais de 800 quilômetros por hora, causando uma série de explosões. Cerca de 400 mil pessoas foram expostas a poeira tóxica. A remoção de 1,8 milhão de toneladas de escombros levou cerca de oito meses.

Julgamento do mentor: O que esperar?

Acusado de ser o mentor dos ataques de 11 de setembro, Khalid Sheikh Mohammed, chefe de operações da Al Qaeda, deverá ser julgado por um tribunal militar em junho de 2028. Ele é acusado de orquestrar o plano para lançar aviões de passageiros sequestrados contra o World Trade Center, em Nova York, e contra o Pentágono.

Mohammed foi preso em 2003, no Paquistão, e desde 2006 está na base de Guantánamo, em Cuba. Além dele, serão julgados três co-réus: Walid Muhammad Salih Mubarak bin “Atash, Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi e Ali Abdul Aziz Ali.

Osama Bin Laden, fundador e líder da rede Al Qaeda, foi morto em 2011 pelas forças dos Estados Unidos em uma operação no interior do Paquistão.

Da IstoÉ com Rádio Nacional