Ataque em Medjugorje: polonês é preso por vandalizar santuário

Cidadão polonês é detido após pichar estátua de Nossa Senhora e tentar incendiar altar na Bósnia-Herzegovina

Um cidadão polonês de 31 anos foi preso nesta terça-feira (28) pelas autoridades da Bósnia-Herzegovina, sob suspeita de vandalizar a estátua de Nossa Senhora de Medjugorje e tentar incendiar o altar externo da Paróquia de São Tiago, no famoso santuário mariano localizado no sul do país. A ação, ocorrida na madrugada, gerou indignação entre fiéis e autoridades locais.

Segundo a polícia, câmeras de segurança registraram o suspeito derramando um líquido inflamável sobre o altar externo situado atrás da Igreja de São Tiago (Sveti Jakov) e ateando fogo em seguida. As chamas foram rapidamente controladas e não atingiram a igreja, embora tenham causado danos materiais ao altar, recentemente reformado.

O que aconteceu

  • Um cidadão polonês foi preso por vandalismo em Medjugorje, acusado de pichar a estátua de Nossa Senhora e tentar atear fogo no altar do santuário.
  • O suspeito, identificado como Krakowiak Bartlomiej Wlodzimierz, é conhecido por uma história de superação e conversão espiritual, o que chocou a comunidade.
  • O incidente foi condenado por autoridades, incluindo o ministro do Turismo da Itália, e as investigações sobre a motivação prosseguem.

Após a tentativa de incêndio, o homem também pichou a estátua de Nossa Senhora, conhecida como Rainha da Paz, utilizando tinta spray preta. Entre as inscrições estavam frases ofensivas em polonês, como “Diabo de saia”, além de mensagens afirmando que os “videntes são impostores”.

Uma faixa deixada próxima ao monumento citava nominalmente os seis primeiros videntes de Medjugorje — Ivanka, Mirjana, Milka, Vicka, Ivan e Jakov — acompanhada da frase: “Eles são impostores. Eu tenho provas.” A polícia informou que o suspeito foi localizado e preso na localidade de Cerno, nas proximidades de Ljubuski, cerca de 15 quilômetros de Medjugorje.

Quem é o suspeito do ataque?

Inicialmente, ao ser abordado por um peregrino, o indivíduo teria afirmado ser holandês, embora posteriormente tenha sido identificado como cidadão polonês nascido em Varsóvia. O motivo do ataque ainda é desconhecido. Caso seja condenado, poderá enfrentar pena de até cinco anos de prisão, conforme a legislação da Bósnia-Herzegovina.

O episódio ganhou repercussão ainda maior após a divulgação de que o suspeito é Krakowiak Bartlomiej Wlodzimierz, figura conhecida entre peregrinos por sua história de conversão religiosa. Em 2024, ele participou do documentário polonês Powo?any 2 (“Chamado”), que retrata sua trajetória de superação da dependência de drogas, prisão e posterior conversão espiritual. Frequentador assíduo de Medjugorje, ele era considerado por muitos fiéis um símbolo de renovação da fé, o que aumentou o choque diante das acusações.

Em comunicado oficial, o Santuário de Medjugorje informou que permanece aberto aos peregrinos e que a programação religiosa segue normalmente. A administração afirmou que as áreas afetadas estão sendo rapidamente limpas e restauradas para voltarem a servir como espaço de oração e peregrinação, um desafio contínuo em locais de grande devoção, onde a garantia de acesso é fundamental, a exemplo do que ocorre com o patriarca latino ao Santo Sepulcro após recentes impedimentos.

Qual a repercussão do caso e a investigação?

O ministro do Turismo da Itália, Gianmarco Mazzi, condenou o ataque, classificando-o como uma “provocação ultrajante inaceitável” e uma afronta a milhões de peregrinos que visitam anualmente um dos mais importantes centros de devoção mariana do mundo. A Igreja Católica, por sua vez, também acompanha de perto eventos que impactam seus fiéis globalmente, sejam eles relacionados a acessos em locais sagrados como Jerusalém, ou a importantes nomeações internas como a recente do Papa Leão XIV, que nomeou um novo esmoleiro espanhol agostiniano. “Neste ano de celebrações dedicadas a São Francisco de Assis, com a candidatura do presépio a Patrimônio Mundial e às vésperas da inauguração do “Caminho Espiritual de Francisco”, considero inaceitáveis tais provocações ultrajantes contra milhões de fiéis”, afirmou o italiano.

As autoridades bósnias continuam investigando as circunstâncias do caso e buscam esclarecer a motivação de Krakowiak Bartlomiej Wlodzimierz, bem como a possível relação entre os diferentes atos de vandalismo registrados durante a madrugada. (ANSA).