(ANSA) – BRASILIA, 05 GEN – O governo brasileiro questionou o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela e rejeitou a possibilidade de criação de um protetorado no país durante uma sessão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
“O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional. Os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável”, afirmou o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese.
Ainda segundo o diplomata, os atos militares de Washington foram uma “afronta à soberania” de Caracas e representam um precedente “perigoso” para toda a comunidade internacional.
Durante sua intervenção, de pouco mais de cinco minutos, realizada após as falas dos membros do Conselho da ONU, Danese declarou que “o fim não justifica os meios”.
Embora o Brasil não integre atualmente o órgão, o país solicitou autorização para se manifestar e expor sua preocupação diante da “agressão” contra um “país vizinho, com o qual compartilha mais de dois mil quilômetros” de fronteiras.
O representante do governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, não fez menções explícitas ao republicano Donald Trump, mas rejeitou qualquer “solução” para a crise venezuelana que passe pelo estabelecimento de um “protetorado”.
De acordo com o diplomata, não questionar os bombardeios contra a Venezuela poderia conduzir a um cenário mundial marcado “pela violência e a erosão do multilateralismo”.
Ele ainda defendeu a “autodeterminação do povo venezuelano” e o princípio da não intervenção nos assuntos de terceiros países.
O discurso de Danese reiterou os termos do comunicado divulgado por Lula no último sábado (3), quando o petista convocou uma reunião de emergência com ministros para tratar da crise.
Por fim, o embaixador alertou que a agressão ameaça o status da América Latina como uma região de “paz e cooperação” e fez um apelo para que o Conselho de Segurança atue com “determinação” para impedir que a força prevaleça sobre o direito internacional. (ANSA).