Rebeldes dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) realizam um ataque com bomba que mata 20 pessoas e fere 36 em uma estrada no sudoeste da Colômbia, no sábado, 25 de maio, a pouco mais de um mês das eleições presidenciais.
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As autoridades atribuem a ação a grupos que não aderiram ao acordo de paz de 2016, intensificando a violência no país e gerando grande preocupação.
O atentado, que chocou a nação, ocorreu no departamento de Cauca, uma das regiões mais afetadas pela ofensiva guerrilheira e que possui extensa área de cultivos ilícitos para o narcotráfico. O governador de Cauca, Octavio Guzmán, inicialmente reportou 14 falecidos e 38 feridos, atualizando posteriormente o número de vítimas.
O que aconteceu
Um ataque a bomba na Colômbia mata 20 civis e fere 36 em uma estrada no departamento de Cauca, dias antes das eleições presidenciais.
A ação é atribuída a rebeldes dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que se recusaram a aderir ao acordo de paz de 2016.
O presidente Gustavo Petro classifica os rebeldes como terroristas e ordena a perseguição, enquanto a violência se intensifica no período pré-eleitoral, especialmente em Cauca e Valle del Cauca.
O ataque atingiu mais de dez veículos, que foram lançados por vários metros devido à enorme explosão em um posto de controle instalado pelos dissidentes, segundo o Exército colombiano. Imagens e vídeos que circulam nas redes sociais mostram corpos cobertos, veículos destruídos e uma grande cratera na via, evidenciando a brutalidade do atentado.
O presidente de esquerda Gustavo Petro classificou os rebeldes como “terroristas” e ordenou à força pública que redobrasse sua perseguição para garantir a segurança da população e o processo eleitoral.
A escalada da violência no Cauca
Os rebeldes espalham terror nos departamentos de Cauca e Valle del Cauca, com uma série de atentados que começaram na sexta-feira com um ataque a bomba contra uma base militar na cidade de Cali, que deixou dois feridos. Desde então, 26 ataques foram registrados, segundo dados fornecidos pelo Exército colombiano.
A diretora para a América Latina da ONG International Crisis Group, Elizabeth Dickinson, especializada no conflito colombiano, afirma que o atentado mostra o “desrespeito” com a vida dos civis. “A população civil sempre se vê presa no meio” do conflito, observou a especialista em uma análise sobre a situação.
As facções lideradas por Iván Mordisco, considerado o criminoso mais procurado da Colômbia, assediam as forças de segurança com explosivos, drones e fogo cruzado, demonstrando seu poder na região. Em fevereiro, a candidata a vice-presidente da esquerda, a líder indígena Aida Quilcué, foi retida por 24 horas enquanto transitava por uma estrada no departamento de Cauca, um incidente que gerou grande repercussão.
“A mensagem para o Estado é: “aqui estamos e aqui mandamos””, frisou Dickinson, acrescentando que “seu propósito é gerar preocupação e terror entre a população”. Essa estratégia busca desestabilizar a região e pressionar as autoridades.
Por que a paz total não avança?
Após chegar ao poder em 2022, o presidente Gustavo Petro tentou, sem sucesso, negociar a paz com as maiores organizações armadas, que fortaleceram suas fileiras nos últimos anos. A dissidência das FARC comandada por Iván Mordisco decidiu abandonar a mesa de negociações em 2024, optando por aumentar a pressão contra civis e a força pública.
A oposição, ex-presidentes e militares reformados criticam abertamente a política de paz de Petro e o acusam de ser indulgente com os criminosos. Segundo eles, a abordagem do governo não tem sido eficaz para conter a violência e garantir a segurança dos cidadãos.
Após a assinatura do acordo de paz com as antigas Farc em 2016, grupos ilegais disputam na Colômbia as receitas provenientes do tráfico de drogas, do garimpo ilegal e de extorsões, gerando um novo cenário de conflito. “O crescimento dos grupos armados com um propósito econômico vem desde 2016”, explica Dickinson. “Mas a paz total [política de Petro] não foi capaz de impedi-lo”, opinou a especialista, destacando a complexidade do problema.
O tema da segurança tem forte peso nestas eleições presidenciais, nas quais o herdeiro político de Petro, o senador Iván Cepeda, desponta como favorito nas pesquisas, demonstrando a importância do assunto para o eleitorado colombiano.