Aviões militares da Nigéria realizam um bombardeio que mata ao menos cem civis em um mercado no nordeste do país, neste domingo, 12, segundo organizações de direitos humanos. O ataque ocorreu na região de Jilli, estado de Yobe, uma área que há mais de uma década sofre com a insurgência jihadista do Boko Haram. As Forças Armadas nigerianas, por sua vez, alegam ter mirado em terroristas.
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O que aconteceu
Um bombardeio da Força Aérea da Nigéria mata ao menos 100 civis em um mercado no estado de Yobe, nordeste do país.
A Anistia Internacional confirmou as mortes e exigiu uma investigação imparcial e independente do ocorrido.
As Forças Armadas nigerianas afirmam que o alvo eram terroristas e reconheceram que “pessoas foram afetadas” no mercado.
A Anistia Internacional afirmou ter confirmado, a partir de depoimentos de sobreviventes, que pelo menos 100 pessoas morreram no ataque ao mercado semanal da localidade de Jilli. De acordo com a organização, três aviões militares bombardearam a área, e o Hospital Geral de Geidam recebeu ao menos 35 feridos graves.
“Estamos em contato com as pessoas que estão lá, falamos com o hospital. Conversamos com o responsável pelo atendimento às vítimas e com as próprias vítimas”, disse Isa Sanusi, diretor da Anistia Internacional na Nigéria, à agência de notícias Associated Press.
Informações obtidas pela agência Reuters indicam um número ainda maior de vítimas. Um conselheiro da região e chefe tradicional da ala de Fuchimeram, em Geidam, afirmou que mais de 200 pessoas teriam morrido após o bombardeio.
Anistia Internacional exige apuração
A Anistia Internacional cobrou das autoridades nigerianas uma investigação imediata, independente e imparcial sobre o ataque em Jilli e pediu que os responsáveis sejam levados a prestar contas.
O governo do estado de Yobe confirmou que o ataque aéreo tinha como alvo um reduto do grupo jihadista Boko Haram na região, mas reconheceu que civis foram atingidos. Em comunicado, o assessor militar do governo estadual, general de brigada Dahiru Abdulsalam, declarou que “algumas pessoas que foram ao mercado semanal de Jilli foram afetadas”, sem fornecer mais detalhes sobre vítimas.
Forças armadas nigerianas falam em “ataques de precisão”
A Força Aérea da Nigéria informou ter realizado bombardeios contra posições de “terroristas” no nordeste do país e descreveu a operação como ataques de precisão, integrados a ações terrestres do Exército. Em nota assinada pelo porta-voz Ehimen Ejodame, a instituição não mencionou mortes de civis nem fez referência direta ao mercado atingido.
Incidentes desse tipo não são inéditos no país. As Forças Armadas da Nigéria recorrem com frequência a ataques aéreos com o intuito de combater grupos armados que se escondem em vastas áreas florestais. Segundo uma contagem da Associated Press, pelo menos 500 civis morreram em bombardeios desse tipo desde 2017.
A violência no nordeste da Nigéria se intensificou?
O nordeste da Nigéria é palco da violência do Boko Haram desde 2009, conflito que se agravou a partir de 2016 com o surgimento de uma facção dissidente, o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP). Nos últimos meses, os combates se intensificaram, inclusive após uma série de ataques aéreos lançados no fim de dezembro de 2023 por forças dos Estados Unidos em conjunto com unidades nigerianas contra posições jihadistas no noroeste nigeriano.