Carnaval 2020

Associação indígena sai em defesa de Alessandra Negrini após polêmica com fantasia

Crédito: Reprodução/ Instagram

A atriz é a rainha do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta (Crédito: Reprodução/ Instagram)

Rainha do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, a atriz Alessandra Negrini, de 49 anos, publicou em seu Instagram uma nota de apoio da Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), depois da artista ser acusada de apropriação cultural. A polêmica surgiu após a atriz usar uma fantasia com adereços indígenas no desfile do bloco, no último domingo (16).

Em entrevista para a Folha de S. Paulo, a atriz revelou o motivo da escolha da fantasia deste ano. “Hoje para mim a questão indígena é a central desse país. Ela envolve não somente a preservação da cultura deles como a preservação das nossas matas”, afirmou Negrini. “A luta indígena é de todos nós e por isso eu tive a ousadia de me vestir assim”, completou a atriz.

A artista estava acompanhada de diversas autoridades indígenas no desfile, como a líder e ativista Sônia Guajajara, que inclusive a defendeu. “Muita gente usa acessórios indígenas como fantasia. Isso a gente não concorda. Mas quando a pessoa usa de uma forma consciente, como um manifesto para amplificar as vozes indígenas, então tudo bem, é compreensível”, disse Guajajara.

Além de defender o uso dos acessórios indígenas pela atriz, a nota da APIB ainda ressaltou que é preciso dar atenção a outros temas, principalmente aos assuntos que estão em discussão no Congresso Nacional.

“Alessandra Negrini é ativista, além de artista, e faz parte do Movimento 342 Artes, que muito vem contribuindo com o movimento indígena. Esteve conosco em momentos fundamentais. Portanto, ela conta com o nosso respeito e agradecimento.”

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Segue nota oficial da APIB Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. Sem mais. NOTA da APIB: Estamos vivendo a maior ofensiva em séculos de nossa história. Essa semana está tramitando no Congresso uma MP que tenta regularizar a grilagem, o PL da Devastação quer impor a mineração e a exploração das terras indígenas, um evangélico missionário está em um posto estratégico da FUNAI e pode provocar a extinção de povos não contactados. São muitos os ataques. Não nos esqueçamos, o momento é grave e dramático, querem nos dizimar! Por isso, causa-nos indignação que uma aliada seja atacada por se juntar a nós em um protesto. Alessandra Negrini colocou seu corpo e sua voz a serviço de uma das causas mais urgentes. Fez uso de uma pintura feita por um artista indígena para visibilizar o nosso movimento. Sua construção foi cuidadosa e permanentemente dialógica, compreendendo que a luta indígena é coletiva. É preciso que façamos a discussão sobre apropriação cultural com responsabilidade, diferenciando quem quer se apropriar de fato das nossas culturas, ou ridiculariza-las, daqueles que colocam seu legado artístico e político à disposição da luta. Alessandra Negrini é ativista, além de artista, e faz parte do Movimento 342 Artes, que muito vem contribuindo com o movimento indígena. Esteve conosco em momentos fundamentais. Portanto, ela conta com o nosso respeito e agradecimento. E assim será, sempre quem estiver ao nosso lado. APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. foto @franciodeholanda

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