Assistindo à posse com uma avó e seu neto

Lula sobe com grupo diverso da sociedade civil
Foto: Reuters

Ser o único jornalista na família faz a gente ser questionado sobre vários assuntos. Para quem nunca passou perto de uma redação, repórteres têm uma aura de quem sabe tudo, ou pelo menos alguma coisa que poucos sabem. Passando a tarde de domingo assistindo à posse de Lula depois do almoço de início de ano, as perguntas dos parentes foram muitas. Nos extremos da família, uma avó e seu neto, 87 e 11 anos, respectivamente.

“Pode entrar cachorro?”, pergunta o garoto quando Lula sobe a rampa com seus convidados para a cerimônia da entrega da faixa presidencial. Dá vontade de responder ao menino que algumas pessoas que já passaram por ali são mais animalescas do que a cadela Resistência, mas é melhor segurar a piada. “Por que essa turma toda?”, agora é a avó que pergunta. De certa forma, seriam os representantes do povo brasileiro em seus vários grupos. “Mas até o cachorro?”, insiste o garoto. Bem, na verdade é fácil imaginar a foto de uma típica família brasileira com o manjado vira-lata caramelo que povoa o País. Por que não a Resistência marcar presença ali?

“Por que a Janja não está usando vestido?” Essa é pergunta da avó, claro. Como se preocupar com a roupa das pessoas em pleno 2023 parece algo completamente ultrapassado, nenhuma resposta chega para a vovó. Mas ela insiste: “Não deveria ser obrigada a usar um vestido? Os homens estão de paletó e gravata. Todos. As mulheres deveriam estar de vestido. Ou saia, pelo menos. “Isso é uma opção dela, vó. Pode ir como quiser, se preocupar com isso é bobagem. É como aquela história que menina veste rosa e menino veste azul.” Ela se empolga, quase levanta do sofá. “Pois é isso mesmo! Tradição é importante!”

Por fim, é hora para eles responderem uma pergunta, a mesma para os dois. O que acham de Lula presidente? “Eu gosto. Porque minha mãe diz que o Bolsonaro é um monstro!”, manda ver o neto. “Olha, pra mim, tanto faz. Depois do Juscelino é tudo farinha do mesmo saco.”. Falou a vovó.