Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, adora citar ditados supostamente bíblicos. Digo supostamente porque, em grande parte, ou não existem no livro sagrado dos cristãos ou são reescritos por aquela mente oca e reproduzidos através de palavras e frases similares ao nosso português – apenas similares!!.

O devoto da cloroquina, também, usa tais passagens bíblicas para reforçar sua imagem – mais falsa do que nota de 3 reais – de homem religioso, probo, familiar, patriota e temente a Deus: ‘conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’. Mais correto, contudo, seria: conhecereis a verdade e ela o desnudará.

Queiroz, o miliciano que entupiu a conta da primeira-dama, Michelle, com 90 mil reais em cheques e que, confessadamente, operou um esquema de rachadinhas (peculato) para o senador dos panetones e das mansões, Flávio Bolsonaro, quando preso contou com o apoio e a defesa do presidente, seu amigão.

O brutamontes Daniel da Silveira, aquele deputado bolsonarista que ameaçou espancar alguns ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e pregou um novo AI-5 (o mais duro ato institucional da ditadura militar), quando preso também contou com o apoio e a defesa do presidente, seu maior cabo eleitoral.

O mesmo ocorreu com a tal Sara Winter (a noiva do Chucky); Allan dos Panos, digo, dos Santos, procurado pela Justiça brasileira e foragido nos Estados Unidos; e agora com Milton Ribeiro, ex-Ministro da Educação, o pastor das bíblias e das barras de ouro, por quem o ‘mito’ colocaria a cara e a mão no fogo – em nome de Jesus, claro!

O patriarca do clã das rachadinhas já condecorou um assassino de aluguel; já empregou familiares de milicianos em seu gabinete; assumidamente admira e idolatra torturadores e tortura; já lamentou o não extermínio de índios no Brasil. Bem, com um currículo assim, não dá para falar em Deus, pátria e família, não.

Mas que tal… assediadores? Que tal assédio sexual? Pois é. Eis uma nova oportunidade para o defensor do ‘Brasil acima de tudo, Deus acima de todos’ demonstrar todo seu apreço por mais um de seus íntimos auxiliares de confiança. Dessa vez, o escândalo – ou melhor, a invenção da imprensa comunista – é com o presidente (ou ex) da Caixa.

Estou falando da figurinha mais carimbada nas lives (aquele freak show de todas as quintas-feiras) e ‘papagaio de pirata’ frequente nas aparições públicas de Bolsonaro, Pedro Guimarães. O ídolo do ‘mito’ foi denunciado formalmente ao Ministério Público por graves episódios de assédio sexual contra funcionárias do banco.

O todo-poderoso da Caixa, segundo consta nas denúncias, apalpava, intimidava, se oferecia, agarrava, enfim, cometia uma série de contatos íntimos (não consentidos) com executivas que eram convocadas a participar de viagens e eventos, muitas vezes de forma veladamente coercitiva ou em troca de vantagens indevidas.

O caso é verdadeiramente muito sério e grave! Se ainda não caiu, dificilmente o Don Juan bolsonarista se manterá no cargo. Mas não por solidariedade presidencial, já que Jair Bolsonaro é do tipo que não estupra porque, às vezes, a mulher não merece. Cairá porque a eleição está próxima, e o eleitorado feminino já não morre de amores por seu chefe.

Como é mesmo, ‘mito’? Conhecereis a verdade e blá, blá blá… Então, vai um ditado bem mais apropriado procê aí: diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és! Queiroz, Ribeiro, Silveira, Winter, Adriano, Lessa, Collor, Lira, Costa Neto, Nogueira, Guimarães. Sei não, viu! Cê tá precisando escolher melhor seus parças. Ou não, né? Vá saber.