Assassino de ex-premiê do Japão é condenado à prisão perpétua

TÓQUIO, 21 JAN (ANSA) – Tetsuya Yamagami, de 45 anos, foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato do ex-primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe, cometido em 2022, informou a agência de notícias japonesa Kyodo nesta quarta-feira (21).   

Os promotores haviam pedido pena máxima para Yamagami, que admitiu ter matado Abe com uma arma de fogo caseira durante um comício eleitoral na cidade de Nara, no oeste do Japão. Ele é acusado de homicídio e de violar leis de controle de armas.   

“Tudo é verdade”, declarou ele durante audiência realizada em outubro de 2025.   

A Justiça acatou o pedido do Ministério Público, destacando a premeditação do ataque e as consequências para o sistema democrático do país, classificando o ato como “incidente extremamente grave e sem precedentes na história do pós-guerra”.   

O assassinato de Shinzo Abe, então com 67 anos e o primeiro-ministro com o mandato mais longo da história constitucional do Japão, desencadeou uma profunda crise institucional e social.   

O caso expôs os vínculos entre setores da classe política conservadora e a Igreja da Unificação, também conhecida como “Igreja da Lua”, fundada pelo líder religioso sul-coreano Sun Myung Moon.   

Durante o julgamento, Yamagami afirmou que seu ato foi motivado pelo ressentimento contra a Igreja da Unificação. Segundo ele, sua mãe teria doado cerca de 100 milhões de ienes ? pouco mais de 600 mil euros ou R$ 3.546.708 ? à organização, o que teria levado sua família à ruína financeira.   

Após o suicídio do pai e a morte do irmão, Yamagami abandonou os estudos e passou a viver de forma isolada.   

A defesa alegou que o réu foi vítima de “abuso religioso” e que acreditava que o assassinato de uma figura pública ligada à seita ajudaria a expor práticas consideradas predatórias.   

A promotoria, por sua vez, reconheceu o contexto pessoal dramático, mas ressaltou que Yamagami era plenamente consciente de seus atos e que o sofrimento vivido não poderia justificar o crime.   

O ataque também revelou falhas graves na segurança. No momento do disparo, os agentes não reconheceram imediatamente o som da arma ? reflexo de um país onde a violência armada é extremamente rara ? e a intervenção ocorreu tarde demais para salvar a vida do ex-premiê.   

Abe ficou marcado por sua cartilha econômica, a “Abenomics”, com políticas monetárias expansionistas e reformas estruturais, e por romper com a tradição pacifista do país no pós-guerra.   

(ANSA).