A semana

Assaltos à moda guerrilha urbana

Crédito: Guilherme Hahn

CRICIÚMA Os assaltantes aterrorizaram a cidade: vias bloqueadas e ataque à PM (Crédito: Guilherme Hahn)

ESTRATÉGIA Para dificultar a chegada da polícia, os bandidos espalharam R$ 800 mil pelo chão (Crédito:Caio Marcello)

Na semana passada, e no espaço de vinte e quatro horas, duas grandes quadrilhas armadas até os dentes espalharam o terror na cidade de Criciúma, em Santa Catarina, e na pequena Cametá, a cerca de duzentos quilômetros de Belém. Ou seja: para deixar a polícia zonza e desnorteada, na mais antiga tática de guerrilha urbana, os ataques se deram em regiões extremas do País — sul e norte. Até a quarta-feira 2, as autoridades negavam haver relação entre os dois assaltos e descartavam a participação de organizações criminosas, a exemplo do PCC, Comando Vermelho e Família do Norte — duas hipóteses inverossímeis, divulgadas apenas para não passar à população o atestado de que marginais ludibriam os serviços de inteligência. Na quinta-feira já se falava abertamente sobre o envolvimento de facções. Em Criciúma (maior roubo na história catarinense), cerca de trinta assaltantes agiram na terça-feira: neutralizaram a PM metralhando o quartel, bloquearam ruas, fizeram reféns, disparam o tempo todo para o alto amedrontando a cidade, valeram-se de explosivos com acionamento por controle remoto, mandaram para o ar uma agência do Banco do Brasil, feriram uma pessoa e fugiram. Espalharam pelas ruas cerca de R$ 800 mil, e a polícia prendeu quatro pobres moradores que estavam pegando as cédulas para si. Na cidade paraense de Cametá, o modus operandi dos assaltantes foi idêntico, com a sofisticação de duas aeronaves. Os alvos foram uma agência do BB e outra do Banpará. Essa forma de assalto já recebeu o nome de “novo cangaço” porque o bando chega ao local disparando tiros para cima. Até a quinta-feira, cinco pessoas haviam sido presas pelo ataque a Criciúma, O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, declarou: “A ação foi bem sucedida para os marginais”.

BRASIL
Deixa o morto, o café vai esfriar

Divulgação

Sim, já houve um Brasil mais delicado — e, se alguém duvidar, basta olhar para o céu e perguntar se é verdade ou não a Antonio Maria, Ismael Silva, Vinicius de Moraes e Tom Jobim. E esse Brasil dos dias de hoje, alarve, nada tem a ver com pandemia: já há bom tempo vem se embrutecendo. Chegou ao ápice na semana passada. Um dependente químico em situação de rua entrou numa grande lanchonete, no Rio de Janeiro. Implorou, tossindo muito, que alguém telefonasse para o Samu. Falou com as paredes. Ninguém nem se mexeu. O coitado, Carlos Eduardo Magalhães, caiu morto. Tuberculose. Aí alguém se mexeu: colocou um saco plástico preto sobre o corpo. E todos os frequentadores seguiram comendo insensivelmente com o cadáver no local, diante de uma geladeira de refrigerantes.

LIVROS
Os Novos (sempre novos) Baianos

O jornalismo perdeu uma excelente profissional: Marília Aguiar (primeira à direita). Mas a música popular brasileira ganhou uma excelente repórter e historiadora: Marília Aguair. No final dos anos 1960 ela abandonou a USP, deixou família e namorado e partiu para viver em uma comunidade hippie — tornando-se um deles, de corpo e alma. Aonde entra a MPB? É que o centro desse grupo eram os Novos Baianos, grupo que revolucionou a nossa música, composto por Baby Consuelo, Pepeu, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira e outros da mesmíssima qualidade artística. Toda essa história é hoje contada pela produtora de espetáculos Marília no excelente livro “Caí na estrada com os Novos Baianos” (editora Agir). Mais que uma obra, trata-se de um documento histórico, como define no prefácio a cantora e compositora Zélia Duncan. Ao entrar no livro, o leitor vai se sentido amigo dos personagens, passa a torcer por eles — e ri muito e chora muito, e ri e chora ao mesmo tempo. Imperdíveis os capítulos sobre as épocas em moraram em uma cobertura e em um sítio, no Rio de Janeiro. Como a maioria das pessoas que têm um tesouro cultural em mãos, também Marília relativizava a importância de seu conhecimento. “Nunca quis escrever um livro”, diz ela. “O que eu queria era contar essas histórias informalmente”.

PANDEMIA
A notícia mais esperada do ano

Maxim Shemetov

Diante de uma pandemia que não faz outra coisa senão crescer, a notícia mais aguardada chegou. Até meados de dezembro, a Alemanha prevê já ter vacinado 450 mil habitantes de Berlim com o imunizante produzido pela Pfizer — um dos aeroportos do país servirá como centro de vacinação. O mesmo produto imunizará a população italiana e a dos EUA, e ambos países já estão no estágio de planificar a distribuição — na Itália deve começar no início de 2021. A Rússia, que iniciou o procedimento na semana passada, vale-se da solução nascida em seus próprios laboratórios: a Sputnik V. No Brasil, o Plano Nacional de Vacinação atende pelo nome de atraso: quando essas nações estiverem com a cobertura vacinal praticamente completa, só então o País abrirá a sua campanha.


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