Hoje dei um pulo em Vinhedo, aqui perto de SP, para uma visita ao campus de datacenters da Ascenty, uma das maiores empresas do setor de datacenters da América Latina. Durante a visita, a empresa anunciou um investimento de US$ 1,2 bilhão para ampliar sua infraestrutura no País. Atualmente, a companhia opera ou tem em construção 40 datacenters no Brasil, Chile, México e Colômbia.
O aporte vem após contratos firmados com empresas globais de tecnologia para fornecimento de infraestrutura para processamento de aplicações de nuvem e IA. Eles nunca falam que é o cliente, mas sabemos que é alguma dessas big techs de sempre 😄
O plano de investimento inclui a construção de quatro novos datacenters preparados para IA. O primeiro será em Sumaré (SP), e será a primeira unidade da América Latina projetada desde a sua concepção para suportar cargas de trabalho de IA em larga escala. O datacenter deve ficar pronto no segundo semestre de 2027.
Além disso, a Ascenty está construindo sua terceira instalação de grande porte em Vinhedo (SP) e futuramente terá mais dois datacenters no mesmo campus. Juntos, os quatro datacenters somam 150 MW, volume equivalente a mais de um terço de toda a capacidade construída ao longo dos 15 anos de história da Ascenty.
Nos últimos anos, a cidade de Vinhedo, na região de Campinas, tem se consolidado com um polo de datacenters, reunindo alta disponibilidade de energia, conectividade densa por fibra óptica e proximidade com a demanda corporativa e de cloud da cidade de São Paulo.
Em conversa com jornalistas, executivos da empresa abordaram alguns detalhes interessantes do mercado de datacenters. Confira alguns destaques.
Redata faz falta
O setor de datacenters sofreu uma derrota com a não aprovação do Redata no início deste ano. A Ascenty vê o projeto não como uma condição de sobrevivência, já que o Brasil possui vantagens naturais como energia barata e renovável, mas como o fator que faltaria para transformar o país em um dos principais destinos de datacenters do mundo.
Executivos da empresa observaram que o Redata seria essencialmente uma antecipação das mudanças feitas pela Reforma Tributária, que entra em vigor aos poucos até 2032. Por isso, a não aprovação do projeto tende a ter menor impacto à medida que alguns benefícios entram em vigor. O prazo para terminar as mudanças até 2032, no entanto, é considerado muito longo pela empresa, devido à velocidade em que o mercado de tecnologia vem evoluindo.
SP em alta
Sobre a concentração de datacenters no estado de São Paulo, a Ascenty afirma se tratar de uma consequência natural da relevância do estado. São Paulo tem 40% do PIB do Brasil e concentra o maior número de grandes empresas e clientes, além de ter boa oferta de mão de obra especializada e a melhor infraestrutura de conectividade, sendo ponto de chegada de vários cabos submarinos.
Paraguai em baixa
Apesar do hype em torno do Paraguai, a Ascenty não considera viável a instalação de grandes datacenters no país vizinho. Alguns motivos são a pequena quantidade de energia disponível em comparação com o Brasil, falta de conectividade de cabos submarinos, ausência de mercado doméstico e pouca demanda vinda de clientes brasileiros.