A semana

As urnas falsas podem se voltar contra Donald Trump

EUA

SEGUNDA-FEIRA 12 Trump e uma das urnas ilegais: discurso e subida nas pesquisas na Flórida (Crédito:Saul Loeb / AFP | Frederic J. Brown / AFP)

A arte da política, por definição, comporta filosófico cinismo — até porque, em sua prática, os fatos nunca são, estão sempre sendo. Tal cinismo, no entanto, nada tem a ver com ilegalidades. É preciso que o Partido Republicano dos EUA volte a ler tais princípios teóricos formulados por seus fundadores. Na semana passada, o presidente e candidato conservador à reeleição, Donald Trump, fez comício na Califórnia, estado em que empata tecnicamente nas pesquisas com o democrata Joe Biden. Trump bateu duro no oponente que propõe a ampliação da votação antecipada, o que é permitido nos EUA, principalmente por meio de urnas instaladas em diversos locais e que são posteriormente recolhidas pelos correios e enviadas para contagem oficial. Enquanto Trump criticava aquilo que a lei permite, o seu partido espalhava cerca de cinquenta urnas falsas, próximas a igrejas, lojas de armas e à sede da legenda em Los Angeles, Orange e Fresno. Isso é pura fraude para confundir o eleitor — e faz sentido uma vez que o autoritário Trump já berrou que não aceita outro resultado no pleito que não seja a sua vitória. Pode ser um tiro no pé: há conservadores no exato sentido ideológico do partido que votariam em Trump, mas que agora podem não fazê-lo porque uma coisa é conservadorismo e liberalismo, outra coisa é gatunagem.

 

SENADO

Amy Barret e o aborto

Anna Moneymaker-Pool/Getty Images/AFP

Tudo dentro do esperado, na semana passada, na sabatina à qual Amy Coney Barrett, indicada por Donald Trump à Suprema Corte dos EUA, foi submetida no Senado. Ela reafirmou seguir à risca o catolicismo tradicional, ressalvando que tanto a religião quanto outras posições pessoais “jamais interferirão em suas decisões como ministra”. Amy falou a verdade. Ela é uma juíza mais que garantista. Ou seja: lê a lei como foi escrita na raiz e a aplica, nunca a interpreta. Magistrados que seguem tal metodologia não falam abstratamente. Evocando esse princípio, Amy recusou-se a responder perguntas sobre o Affordable Care Act (lei que instituiu o Obamacare) e também manteve silêncio em relação ao aborto — uma das mais sensíveis questões na Corte, uma vez que a legalização da interrupção da gravidez, decidida em 1973 (caso Roe versus Wade), deu-se a partir de fake news plantada no processo pelas advogadas da grávida.

 

MEIO AMBIENTE

Grandes artistas na defesa do Pantanal

Divulgação

Já que a música é uma linguagem universal, é por meio dela que se tece uma das melhores formas de protesto contra as queimadas no Pantanal — assim, tal protesto ficará sustenido no ar em todo o planeta. Nessa certeira toada, artistas do primeiríssimo time se uniram em uma causa urgente: #AjudaPantanal. Em coro, estrelas como Carlinhos Vergueiro (foto) e sua filha Dora Vergueiro (foto), Chico Buarque, Martinho da Vila, Zeca Baleiro e Antonio Pitanga, entre tantos outros, cantam o genial hino à natureza “Eu Quero Ver”, composto por Carlinhos. A composição tem trinta anos, parece que foi feita hoje: “não quero ver esse País pegando fogo/ na fogueira do feroz destruidor”. Na semana passada, ele disse à ISTOÉ: “A cultura, a educação, a saúde e o meio ambiente estão sendo destruídos por esse governo. A arte sempre foi muito importante em tempos sombrios”. O manifesto #AjudaPantanal foi assinado por grandes nomes, a exemplo de Marcelo Adnet, Bruno Gagliasso, Iza, Linn da Quebrada, Lulu Santos. “Todos deveriam abraçar a defesa do meio ambiente, e a música é um excelente caminho para espalhar essa semente tão vital”, diz Dora Vergueiro.

 

CIDADES

Cheiro ruim de candidato

Se o candidato a prefeito de São Paulo Celso Russomanno descobriu a profilaxia à Covid-19 para as pessoas em situação de rua, que é o fato deles não poderem tomar banho todos os dias, pode supor que ele aplique tal método a si próprio.

 

1.144

Divulgação

É o número de favelas no Rio de Janeiro, de um total de 1.413, que estão nas mãos de organizações criminosas ligadas ao tráfico de armas e drogas. As 269 restantes vivem em paz? Não. São dominadas e exploradas por milicianos. Dados do governo estadual.

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