Edição nº2603 14/11 Ver edições anteriores

As trumpalhadas

Quer saber?

Acho que o possível (e não provável) impeachment de Donald Trump tem o potencial de limpar a barra da Revolução da Informação.

Porque, convenhamos, essa história toda de internet não deu muito certo.

Pense comigo.

A internet como conhecemos, essa que conectou os computadores pessoais dos cidadãos comuns como eu e você, nasceu ali por 1989.

Mais ou menos nessa época surgiu o termo “rede mundial de computadores”.

Inicialmente conectando faculdades, rapidamente dominou o mundo unindo a humanidade na esperança de resolver causas altruístas como, sei lá, o fim da pobreza.

Que nada.

Passados trinta anos, um dos principais destinos da humanidade não foi a cura de doenças contagiosas, mas os sites pornô.

Segundo dados do Pornhub.com, ano passado nada menos do que 109.012.068.000 vídeos foram assistidos em seus canais.

Não precisa contar os zeros.

São 109 bilhões.

Um único indivíduo gastaria 629.880 anos de sua vida para assistir a essas 5.517.748.800 horas de produção.

Suspeito que não era bem esse o sonho de Tim Berners-Lee, quando criou a World Wide Web.

Pois bem.

Com cada um de nós devidamente digitalizado e pornografado, vieram as redes sociais para nos dar nova esperança.

Todos os dias mais de 2.500.000.000 usuários acessam as diversas redes sociais e cada um deles passa mais de 20 minutos conectado por dia.

As redes sociais são, de longe, o maior país do mundo em habitantes e em PIB.

Viva! A era onde o espectador não é mais passivo.

O sonho de um tempo onde cada um é seu próprio gerador de conteúdo virou realidade.

Um basta na ditadura dos grandes conglomerados de mídia.

Mas, como sempre, o elo mais fraco da cadeia é o ser humano.

Só no ano passado foram retiradas do ar mais de 700 milhões de contas falsas nas redes sociais.

Quase quatro vezes a população do Brasil.

Gente que nos agride com discurso de ódio e fake news, para dizer o mínimo.

Mas uma conta é apagada ali, outra pipoca aqui.

A Revolução da Informação é dinâmica, constante.

Ao contrário das revoluções do passado, essa revolução tem infinitas batalhas diárias.

O confronto entre o bem e o mal, diariamente numa telinha perto de você.

Só que as consequências destas batalhas vão muito além das telas.

O saldo desses confrontos elege presidentes, derruba governos, estabelece prioridades.

Um dia achamos que a anarquia das redes seria nossa salvação.

Erramos de novo.

Os influencers surgiram para mostrar que só quem tem milhões de seguidores é ouvido, igualzinho aos antigos conglomerados.

Mas nem mesmo os influencers tem relevância diante dos reais poderosos do submundo digital, capazes de manipular massivamente a informação através de robôs e algoritmos.

Quem assumiu o controle foram os políticos, os gananciosos, os mal intencionados.

São eles, em última análise, que controlam a informação da revolução.

Por isso a derrocada de Trump é tão divertida.

Assistir suas trapalhadas é um passatempo prazeroso porque Trump representa para nós, gente comum, a personificação do vilão de desenho animado.

Sabe aquele que tem cara de doido e que constrói um laboratório maluco para destruir o mundo?

Então, Trump é o vilão moderno das redes sociais.

Agora que o laboratório de Trump — uma alquimia de fake news, manipulação de dados da Cambridge Analytics e discurso de ódio — ameaça ruir, temos nosso momento de júbilo.

Mesmo sendo ainda improvável que sucumba num impeachment, dá gosto assistir o homem mais poderoso do mundo espernear ao vivo graças, exatamente, às redes sociais.


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