Comportamento

As relíquias de Calígula

Novas descobertas arqueológicas ajudam a desvendar passado misterioso do tirano e indicam que ele pode ter sido menos cruel e perverso do que a história nos fez crer

Crédito: Divulgação

POSTERIDADE Conhecido por ter nomeado o cavalo Incitatus para o senado romano, Calígula sofreu abusos na infância (Crédito: Divulgação)


Modelo de sociedade até hoje, Roma é tida como berço de civilização e do poder ocidental. Por mais informações que a ciência tenha sobre as personalidades históricas que já viveram na capital do império, basta um novo achado para provar que ainda há muitos mistérios sem solução. Recentemente arqueólogos do Ministério do Patrimônio e das Atividades Culturais da Itália revelaram descobertas inéditas no palácio de Calígula, considerado um dos imperadores mais cruéis de todos os tempos. Entre os itens recuperados estão fósseis de animais exóticos, obras de mármore e cerâmica, joias, moedas de ouro e partes de uma escadaria que leva ao jardim do prazer imperial, refúgio preferido do governante. As relíquias podem contribuir para análises mais profundas acerca da personalidade do soberano, uma incógnita que transcende milênios, visto que alguns teóricos acreditam que ele era um tirano e outros, que era apenas um jovem abalado por uma adolescência conturbada. “O resgate do material oferece a possibilidade de resolver mistérios que ainda não conseguimos”, afirma Vagner Porto, professor do Museu de Arqueologia da Universidade de São Paulo (USP).

Apesar de ser pouco lembrado, o nome de batismo do imperador é Caio Júlio César Augusto Germânico. Seu pai, Germânico César, era um general romano tão aclamado pelo povo, que seu prestígio causou inveja em Tibério, imperador da época. Acredita-se que o soberano ordenou seu assassinato e depois prendeu a mãe e os dois irmãos mais velhos de Calígula — mortos por falta de alimentos. Pressionado pelo Senado após os escândalos, Tibério adotou Calígula como seu filho. Durante a adolescência o jovem foi ‘um bom rapaz’, muito porque temia perder a vida como seus familiares, e foi por isso que suportou anos de abusos sexuais de seu “pai adotivo”.

Em busca da verdade

Calígula assumiu o trono com 24 anos, após a morte de Tibério e se tornou apenas o terceiro imperador de Roma. O soberano teve a benção tanto do povo quanto do Senado e por isso seus primeiros anos de governo são apontados como prósperos. No entanto, já marcado por traumas, passou a tomar decisões contraditórias e desagradou autoridades políticas pouco tempo depois. “Ele foi um bom governante enquanto esteve no poder, mas as polêmicas superam os triunfos”, afirma o arqueólogo Vagner Porto. Para especialistas, a pressão causada pelo cargo fez com que Calígula mostrasse um lado autoritário e perverso. Inclusive, foi neste momento que o imperador disse uma icônica frase: “Que me odeiem, desde que me temam”. Todavia, sua trajetória após a frase pode ter sido diferente do que muitos livros de história relatam. “Muito do que se sabe sobre ele é especulação, embora seja um personagem controverso”, afirma Porto.

O fascínio por Calígula gira em torno de sua aura misteriosa e supostos feitos absurdos. Há relatos de que ele utilizou dinheiro público para organizar festas e orgias em seu palácio, obrigou as esposas de senadores opositores a fazer sexo com ele, transou com suas irmãs, e, talvez, a mais famosa: nomeou Incitatus, seu cavalo preferido, como cônsul para humilhar o Senado romano. Historiadores afirmam que os relatos podem ter sido tendenciosos. “É preciso ter cuidado para tratar sobre o passado”, afirma Julio Cesar Magalhães, historiador da USP. “O caso do cavalo nomeado político pode ter sido uma ameaça ao Senado, e não um caso de distúrbio mental”, conta. Conta-se que Calígula era ególatra e amava ser elogiado, porém, não suportava críticas e desobediências, atos punidos com a morte. Para se ter ideia, dizem que ele condenava serviçais que o incomodavam em suas sonecas no palácio ou durante seus passeios no jardim dos prazeres imperiais. A fama de cruel tomou conta da sociedade romana e em um dado momento, Calígula tinha mais inimigos do que aliados na esfera política, além de ser odiado pelo povo, e em 41 d.C, foi assassinado em um beco nos arredores do palácio — até hoje ninguém sabe ao certo quem foi.

Para Vagner Porto, os achados arqueológicos podem contribuir para um estudo menos enviesado de Calígula, visto que os historiadores da época eram seus opositores. “A construção de sua imagem histórica foi tendenciosa”, afirma. Segundo os especialistas, há pouca contestação de evidências históricas de tempos remotos e algumas opiniões do passado são tratadas como verdades. É por isso que as expedições arqueológicas são tão importantes para rever a história com outros olhos. “Cada análise reflete seu tempo”, destaca Vagner Porto. Mesmo dois milênios depois ainda não se sabe ao certo se Calígula foi um imperador cruel ou apenas um jovem abalado por uma vida conturbada.

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