As privatizações morreram
A renúncia do presidente da Eletrobras enterra de vez o plano de desestatização do ministro Paulo Guedes. Mais do que isso, atesta que Bolsonaro nunca aceitou seu projeto liberal
SEM MÁSCARA Paulo Guedes em cerimônia no Palácio do Planalto, em outubro passado (Crédito: André Borges)

Quando os historiadores escreverem a história do Brasil do começo do século XXI, certamente Paulo Guedes não terá seu nome registrado da forma que tanto deseja. A sua revolução liberal não apenas naufragou. Nunca começou. A renúncia do presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, anunciada no dia 25, sela o fracasso do plano de privatizações que ia gerar “R$ 1,25 trilhão para o País”. Nada foi privatizado, nem deve ser na gestão Bolsonaro.
A Eletrobras era um símbolo da desestatização. Ferreira Júnior havia assumido com a proposta de preparar a transição e enxugar a companhia em mais uma de suas crises. Fundada há quase 60 anos, ela era famosa pela ineficiência e por abrigar interesses políticos. Atualmente tem 14 mil funcionários e responde por 44,7% da transmissão e 7% da distribuição de eletricidade do País. Seu alto endividamento foi equacionado e reduzido pelo novo gestor, que preparava sua transformação em uma corporação com a maior parte das ações na mão de investidores privados. Foi o caminho adotado pelas antigas estatais de eletricidade da Europa, com sucesso. Essa arquitetura corporativa foi desenhada na gestão Temer junto com o teto de gastos, para controlar a dívida pública, e a Reforma da Previdência, para conter e dar mais isonomia aos gastos com aposentadorias. Essas duas últimas mudanças foram efetivadas e, até o momento, ainda trazem alguma confiança para a solvência da dívida pública.
Risco fisiológico
A renúncia de Ferreira Júnior é o abandono desse projeto de racionalização da máquina pública. As ações da companhia despencaram mais de 10% na Bolsa de Nova York. Apesar das manifestações da Eletrobras de que um novo executivo comprometido com a profissionalização da empresa será contratado, há poucas dúvidas de que essa gigante estatal voltará por gravidade à ação fisiológica. Para comprovar esse fato, o franco favorito na disputa à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco, do DEM, é um dos principais críticos dessa privatização. Há uma ampla rede de interesses no Congresso de olho nos dividendos que a estatal é capaz de oferecer. E a prioridade absoluta do presidente é afastar o risco do impeachment e dar mais espaço ao Centrão, ávido por cargos e contratos. É o destino provável da Eletrobras.
Essa não foi a única péssima notícia que pegou o mercado de surpresa nas últimas semanas. O presidente do Banco do Brasil, André Brandão, quase foi demitido após anunciar o fechamento de 112 agências e a demissão de 5 mil funcionários no dia 11. Bolsonaro se irritou com esse anúncio e queria anular a medida. É mais uma prova de que o presidente pretende manter a ingerência política nas estatais. Paulo Guedes conseguiu convencer o mandatário a abortar a demissão. Mas a queda de mais de 4% nas ações da instituição mostra que há cada vez mais desconfiança — para não dizer certeza— sobre a volta do populismo econômico, que afetaria toda a economia.

O presidente, por exemplo, já reduziu a tarifa de importações de pneus a pedido de caminhoneiros e estuda zerar a tarifa de importação do diesel. A Petrobras sofre pressão para evitar aumentos nos combustíveis num momento em que a inflação está em alta. Os preços do GLP e do próprio diesel estão defasados. Fazer um programa de privatizações vai contra os princípios do presidente, como já demonstrou em quase 30 anos no Congresso. Iria contradizer seus interesses políticos e corporativos, que sempre prevaleceram. Mas não é só. Para Paulo Roberto Feldmann, professor Livre Docente da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), há ainda um problema fundamental na equipe de Guedes: a falta de conhecimento da administração pública. “O Bolsonaro chamou para a sua Secretaria de Desestatização o Salim Mattar, que saiu no ano passado. Ele é um empresário bem-sucedido, mas não sabe como funciona a máquina. Acabou saindo sem privatizar nada”, afirma.
“Até a Ceagesp o presidente já anunciou que não vai privatizar para atingir o governador João Doria, mas o próprio presidente havia assinado sua inclusão no plano de desestatização”, espanta-se Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda e sócio da consultoria Tendências. A fuga de investidores e a retomada cada vez mais difícil mostram que a história se repete. A ingerência política nas estatais foi uma das razões do desastre econômico da gestão Dilma Rousseff. Agora, o mercado já começa a precificar o custo Bolsonaro.
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Colaborou Guilherme Henrique
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