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As pretensões ambientais da mineradora Nornickel no Ártico russo

As pretensões ambientais da mineradora Nornickel no Ártico russo

Uma vista da cidade de Nikel e da fundição de Nikel na região russa de Murmansk em 26 de fevereiro de 2021 - AFP


Em um grande galpão aberto, as máquinas gigantes estão paradas e uma camada de neve cobre os armazéns vazios. A metalúrgica Nikel no Ártico russo fechou suas portas.

Propriedade da gigante mineradora Nornickel (Norilsk Nickel), muito influente na região, a fundição está localizada nas proximidades da fronteira com a Noruega e durante décadas foi uma importante fonte de poluição.

Durante os 74 anos de operação, a metalúrgica produziu milhões de toneladas de níquel, muito utilizado na indústria e que deu o nome à cidade.

Mas a cada ano a fábrica expelia uma quantidade de dióxido de enxofre quatro vezes maior do que a emitida pela Noruega, causando estragos na vegetação e no ar.

O rugido das turbinas cedeu ao silêncio e de vez em quando uma poeira preta cai do teto sobre as últimas caixas de metal que ainda não foram removidas desde o fechamento em dezembro.


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Com seus edifícios à beira da ruína e sua tecnologia desatualizada, a usina será desativada em 2029.

Caminhando entre peças cobertas de gelo, Vladimir Bezushkov não esconde a tristeza pelo estado da fábrica à qual dedicou 25 anos de sua vida.

Ele começou como limpador de chaminés e fornos até se tornar o vice-diretor de produção.

“Eu gostaria de continuar trabalhando como antes. É uma pena, mas o que se pode fazer?”, diz o homem de 45 anos.

E quanto à poluição? “Talvez [houvesse], mas respeitamos todas as regras”, responde.

– Lição aprendida –

O fechamento da fundição é parte de uma estratégia para tornar a Nornickel uma empresa “verde” ou pelo menos limitar o impacto de suas atividades no meio ambiente.

A gigante da mineração planeja investir 4,5 bilhões de euros (5,4 bilhões de dólares) na modernização de seus equipamentos, limpeza da poluição existente e apoio aos parques nacionais.

Na Península de Kola, na fronteira com a Noruega e a Finlândia, as emissões de poluentes devem cair 85% este ano.

Nornickel afirma ter “aprendido a lição” após a catástrofe que causou em Norilsk em maio de 2020, quando 21.000 toneladas de combustível foram despejadas em vários cursos de água depois que um reservatório da usina afundou. Foi um dos piores desastres ecológicos no Ártico.

– Uma medida insuficiente –

Parte da produção metalúrgica de Nikel foi transferida para a gigantesca fábrica de Monchegorsk, na mesma região, mas mais ao sul, onde novas tecnologias serão lançadas.

“Com o lançamento da nova unidade de refino, esperamos dobrar a produção de cátodos de cobre e chegar a 150 mil toneladas por ano. No entanto, isso não terá nenhum impacto negativo no meio ambiente”, disse Vadim Menshenin, diretor de seção.

A fábrica de Monchegorsk da Nornickel produz cobre, níquel e cobalto.

A fundição, muito poluente, foi programada para fechar em 1º de março.

A Noruega aprovou o fechamento da fábrica Nikel. Em 2007, as descargas de poluentes da usina foram tão graves que Oslo chegou a considerar a evacuação dos habitantes da área de fronteira.

A ONG ambiental local Bellona também elogiou a decisão, uma “dádiva da natureza”.

Apesar dos investimentos significativos em novas tecnologias e da redução das emissões, as instalações de Nornickel continuam entre as principais fontes de poluição do Ártico.

“O fechamento de fábricas obsoletas é um passo na direção certa. Mas não é suficiente, se comparado aos volumes de produção da empresa, cujo faturamento é estimado em bilhões”, disse Elena Sakriko, do escritório do Greenpeace na Rússia.

“O Ártico é um ecossistema muito vulnerável que leva tempo para se regenerar”, explicou. “Em nossa opinião, existem regiões que deveriam ser protegidas da atividade humana.”

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