Cultura

As “patroas” do sertanejo

Marília Mendonça, Maiara e Maraisa, em entrevista à ISTOÉ, contam como se tornaram as rainhas desse gênero musical, falam do sucesso e assumem a “sofrência”

Crédito: Divulgação

Marília Mendonça (Crédito: Divulgação)


Marília Mendonça nasceu em Cristianópolis, Goiás, município com pouco mais de três mil habitantes. Aos 25 anos, a cantora é recordista mundial de audiência em lives no Youtube. Em 8 de abril, seu show foi visto por 3,3 milhões de pessoas – público mil vezes maior que a população de sua cidade natal. Em 9 de maio, foram mais 2,2 milhões. As gêmeas Maiara e Maraisa, de 33 anos, também vieram de uma cidade pequena: São José dos Quatro Marcos, no Mato Grosso. As três bem sucedidas cantoras se reuniram para lançar uma série de quatro EPs (mini-álbuns) pela gravadora Som Livre intitulados “Patroas”, gravados nas concorridas lives que costumam compartilhar. Dominado pelas duplas masculinas nos anos 1990 e 2000, o estilo sertanejo atualmente coroa um triunvirato feminino — e elas explicam nessa entrevista como chegaram lá.

Vocês são as líderes do ‘feminejo’. O que é esse movimento?
Marília — É uma onda que chegou com força, onde as mulheres cantam suas versões sobre amores, romances, traições…
Maiara – É importante a gente dizer que a presença das mulheres no sertanejo não é de agora, nós só estamos aqui hoje porque muitas mulheres guerreiras vieram antes de nós. Inezita Barroso, as Irmãs Galvão, Roberta Miranda e tantas outras que abriram caminho, sofreram preconceitos, mas aos poucos viemos juntas e unidas para transformar esse mercado. Hoje a gente se sente muito honradas em representar toda essa força da mulher também na música sertaneja.

Há competição no estilo entre homens e mulheres?
Marília — O segmento é muito unido. Temos essa força toda exatamente por conta dessa união.
Maiara — Pelo contrário, sempre tivemos apoio dos grandes nomes.

O que acham dos fenômenos (e da banalização) das lives?
Marília — As lives foram uma saída tanto para os artistas quanto para o público. Foi uma forma de levar entretenimento para as pessoas que assistiram
e continuam assistindo.
Maiara — Deu muito certo, ajudamos milhares de pessoas com arrecadações e conseguimos levar alegria a quem estava em casa.

As lives vieram para ficar?
Marília — É uma opção. Morremos de saudade de show, encontrar os amigos, sair. Quando tudo estiver controlado, acho que as lives serão usadas sim, mas em momentos específicos.
Maiara — A internet é fundamental. Nossos shows virtuais nos levaram a locais onde jamais tínhamos ido. Por mais que a gente viaje, teve quem assistiu ao nosso show pela primeira vez por meio dessas lives.

Sertanejos cantam muito sobre as traições. Vocês traem mais que os outros?
Marília — O sertanejo sempre falou muito das relações, dos casos de amor e também de traição. Gera uma identificação com o público. Quem nunca viveu uma paixão? Quem nunca teve um grande amor? Quem nunca traiu
ou foi traído? Por isso tanta gente se envolve com as letras das músicas.
Maiara — O sertanejo leva a sério esse lance de traição, a gente ouve muitas histórias. As mulheres começaram a cantar a versão delas também, sem deixar barato uma traição.

De onde vem o sentimento de “sofrência”?
Marília — Dos amores, das traições… de experiências. Histórias que vivi ou de alguém próximo, casos
que a gente ouve por aí.
Maiara — A “sofrência” vem dessa sensibilidade que a gente sempre teve. Nosso repertório fala muito de superação e força.

Vocês parecem ter uma amizade sincera e fazem projetos juntas. Há muita rivalidade no universo sertanejo ?
Marília — Não. Maiara e Maraisa são minhas grandes parcerias da vida. Somos vitoriosas. Em “Patroas”, estamos lado a lado, como sempre foi na vida.
Maraisa — Desde o dia em que a gente se conheceu, num spa, passamos a compartilhar momentos, conselhos e sonhos realizados.

LIVES MAIARA E MARAISA: “Os shows virtuais nos levaram a locais onde jamais tínhamos ido” (Crédito:Divulgação)

O sertanejo é o estilo que melhor representa o público brasileiro hoje?
Marília — O Brasil é variado, tem espaço para todos. O sertanejo sempre foi muito acessível porque canta o dia a dia do povo.
Maraisa — O sertanejo nasceu do povo brasileiro, as nossas histórias se confundem, não dá para falar de um sem falar do outro. É um retrato da sociedade, apesar de estar mudando com o tempo. O estilo de vida mudou, as cidades cresceram e o sertanejo acompanhou muito bem tudo isso.

Os sertanejos expõem muito o hábito de beber. O que acham disso?
Maiara — A galera do sertanejo é chegada numa cachaça. Nas lives, a gente levou para as pessoas
o clima de festa e de descontração que a gente geralmente tem. Não vejo um problema, mas é claro que tem de ter limites.

Como foi a criação da música inédita “Você não é Tudo Isso”?
Marília — É uma composição minha com a Maraisa, Juliano Tchula e Elcio de Carvalho. Todas
as músicas inéditas do projeto foram compostas há algum tempo.
Maraisa — Antes da live falamos muito por mensagens, ligações, com toda a equipe de produção. Aos poucos,
nos ensaios, fomos dando origem a tudo que apresentamos na live e que está nos EPs “Patroas”.

O que acham da situação da Cultura no Brasil?
Marília — O entretenimento sofreu muito. Fomos os primeiros a parar e, provavelmente, seremos os últimos a voltar. Nesse período nos adaptamos e mostramos a importância que o setor tem para a sociedade. São lições que devemos levar para frente.

O que vocês esperam para o futuro? Estão otimistas?
Marília — Otimistas sempre e com fé em Deus de que tudo vai melhorar. Não podemos perder a esperança nem deixar de lutar por um lugar melhor para os nossos filhos.
Maraisa — É um momento difícil, mas temos de tirar boas lições e colocá-las em prática daqui para a frente. Logo estaremos juntos, nos encontrando pelas estradas da vida.


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