As novas governadoras

Crédito: Diego Galba / VG; Keiny Andrade;Waldemir Barreto/Agência Senado

MULHERES NO PODER Luciana Santos, Izolda Cela e Regina Sousa assumirão, em abril, os governos de Pernambuco, Ceará e Piauí, respectivamente (Crédito: Diego Galba / VG; Keiny Andrade;Waldemir Barreto/Agência Senado)

Um fato inédito na política brasileira acontecerá a partir de 3 de abril, quando pelo menos dez dos 27 governadores devem se desincompatibilizar dos cargos para disputar uma vaga no Senado, tendo em vista que completam dois mandatos e não poderão disputar a reeleição. Eles entregarão seus postos para os vices-governadores, e quatro são mulheres. Luciana Santos (PCdoB) deve assumir o governo de Pernambuco no lugar de Paulo Câmara (PSB); Izolda Cela (PDT) tomará posse no lugar de Camilo Santana (PT) no Ceará; Regina Sousa (PT) vai assumir o governo do Piauí no lugar de Wellington Dias; e Eliana Aquino (PT) assumirá o cargo de Belivaldo Chagas (PSD) em Sergipe. Elas ficarão no poder até janeiro de 2023, quando assumem os governadores que serão eleitos em outubro de 2022.

Só uma

Hoje, dos 27 governadores, há apenas uma mulher: Fátima Bezerra (PT), que governa o Rio Grande do Norte. Dessa forma, o Brasil terá recorde de cinco governadoras, num clube tradicionalmente masculinho. No passado já tivemos outras governadoras, como Roseana Sarney (MA), Rosinha Garotinho (RJ) e Yeda Crusius (RS), mas nunca tantas ao mesmo tempo.

Congresso

Embora seja um quadro auspicioso, a participação feminina na política ainda é pequena. Atualmente são 77 deputadas na Câmara (15% das 513 cadeiras) e 13 senadoras (15% do total de 81 vagas no Senado). Nas assembléias estaduais, as mulheres ocupam apenas 161 das 1.060 cadeiras disponíveis. O esforço do TSE é para que sejam no mínimo 30%.

As derrotas de Alcolumbre

Pedro Ladeira

Davi Alcolumbre vive um calvário sem fim. Depois de manter André Mendonça na geladeira por quatro meses, perdeu o cabo de guerra com o Planalto. Antes, não conseguiu obter mais um mandato no tapetão para permanecer na presidência do Senado, deixou escapar uma vaga no ministério do capitão e o irmão não se elegeu para a prefeitura de Macapá. Agora, vai disputar a reeleição para o Senado. Precisa se benzer.

Retrato falado

“É preciso pensar em um novo pacto político” (Crédito:NELSON ALMEIDA / AFP)

A ex-senadora Marina Silva (Rede) disse ao Globo que os candidatos  da terceira via à presidência da República precisam pensar em um novo pacto político que seja capaz de romper com a polarização entre o petismo e o bolsonarismo. “O Brasil não pode voltar ao passado, simbolizado por Lula, ou ficar refém desse presente desastroso, representado por Bolsonaro. Eles não são alternativas”, disse Marina, que foi candidata a presidente em 2010 e 2014. Não disse quem apoiará.

Brasil na contramão

O desgoverno Bolsonaro e a política econômica equivocada do ministro Paulo Guedes estão levando o País a crescer menos do que a média mundial, afugentando investidores internacionais e intranquilizando o empresariado nacional. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que o Brasil crescerá 5% este ano, enquanto que o PIB mundial deverá crescer 5,6%. Para o ano que vem, a discrepância é maior. O PIB mundial deverá crescer 4,5%, e o Brasil, apenas 1,4%%, segundo a OCDE, apesar de estimativas dos principais bancos indicarem que o País terá uma queda de até 0,5%. Para 2023, o Brasil continuará atrás: crescerá 2,1% contra 3,2% da média mundial.

Gargalos

O baixo crescimento brasileiro, de acordo com a OCDE, ocorre em função dos gargalos de abastecimento, pela redução do poder aquisitivo da população, alta da inflação e pelos juros elevados, além do desarranjo das contas públicas. Para crescer mais, o País teria que fazer reformas, inviáveis em ano eleitoral.

Mordomias

A Câmara gastará R$ 692 mil na compra de camas e mesas para equipar os apartamentos funcionais dos deputados. Uma mordomia que o deputado Kim Kataguiri quer eliminar. Apresentou um projeto para que os imóveis sejam vendidos. Os 513 deputados devem pagar do próprio bolso pelo aluguel e pela manutenção: cada deputado ganha R$ 33 mil por mês.

Educação

Os apartamentos funcionais usados pelos 513 parlamentares, segundo Kim, estão avaliados em R$ 2 bilhões. Ele propõe que esse dinheiro seja arrecadado por meio de leilões públicos e utilizado para a criação de um fundo, cujos dividendos seriam usados para incrementar os recursos do Fundeb, o programa nacional de incentivo à educação básica.

Patrulha ideológica

Marcos Oliveira

O deputado Felipe Rigoni foi mais uma vítima da patrulha ideológica dos partidos da esquerda. Integrante do PSB, votou a favor da Reforma da Previdência por entender que ela sanearia as contas públicas, mas seu partido o recriminou por isso e desde então perdeu espaço na legenda. Acaba de se mudar para o União Brasil (resultado da fusão do DEM com o PSL).

Toma lá dá cá

Eduardo Girão, senador pelo Podemos-CE (Crédito:Waldemir Barreto)

A ida de André Mendonça para o STF torna a Corte mais bolsonarista?
Acredito que o Supremo Tribunal Federal finalmente terá um conservador de verdade. Tenho esperança de que a sua lealdade seja aos seus princípios e valores jurídicos, sem subserviência a quem quer que seja.

Por que o Congresso manteve as emendas de relator sob sigilo?
O uso do toma lá dá cá, da velha política da barganha e troca de favores por interesses eleitorais, ainda não foi uma página virada deste Congresso.

O orçamento secreto precisa acabar?
São legítimas as manifestações da sociedade no sentido da se dar transparência ao Orçamento da União, com a adoção de uma política baseada em princípios e valores éticos.

Rápidas

* A família Bolsonaro começa a tomar conta do PL, novo partido do capitão. Apesar de o presidente do partido no Rio continuar sendo o deputado Altineu Côrtes, o senador Flávio começa a dar as cartas: é ele quem decide quem pode ou não se filiar à legenda.

* Para comparecer à solenidade de posse de André Mendonça no Supremo, marcada para a próxima quinta-feira, 16, Bolsonaro terá que apresentar atestado de vacinação ou teste anti- Covid. Passará vergonha mais uma vez?

* Arthur Lira gostou de comandar o cofre do governo e o orçamento secreto: vai colocar em votação em 2022 o semipresidencialismo, modelo que divide o poder entre o presidente e o primeiro-ministro, escolhido pelo Congresso.

* A partir de janeiro, Doria dará início às viagens da pré-campanha para visitar todos os estados brasileiros. O tucano pretende viajar nos fins de semana para não prejudicar a administração do governo paulista.


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