PANDEMIA * 2020

As negociatas com o Centrão

Para retaliar Maia, Bolsonaro oferece cargos a deputados do Centrão. Com isso, o presidente tenta cooptar mais de 200 deputados para montar sua base no Congresso, como sempre foi feito na “velha política”

Crédito: Sérgio Lima

TROCA DE GUARDA Bolsonaro quer substituir a força de Maia (à dir.) pelos conchavos de Arthur Lira (à esq.) (Crédito: Sérgio Lima)


ACUSAÇÃO O deputado Kim Kataguiri diz que Bolsonaro está usando de “hiprocisia e canalhice” ao negociar com o Centrão (Crédito:Câmara dos Deputados)

O estimulo às manifestações pedindo o fechamento do Congresso faz parte de uma estratégia mais ampla de Bolsonaro para formar uma base de apoio ao seu governo na Câmara, onde ele vem perdendo as principais votações nos últimos tempos, como a ocorrida há dez dias, quando os deputados aumentaram o volume de recursos aos Estados de R$ 40 bilhões para R$ 90 bilhões, enchendo o caixa dos governadores que se opõem a ele. Bolsonaro teria sido alertado pelos órgãos de espionagem do governo que haveria um movimento feito a partir do presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), seu desafeto, com a ajuda dos governadores e suas bancadas na Câmara, para articular seu impeachment. Por mais delirante que seja, o presidente resolveu minar o poder de Maia. Quer fazer sua própria bancada e trabalhar para eleger o novo presidente da Câmara. Nesse sentido, o mandatário tenta cooptar mais de 200 parlamentares do Centrão, especialmente do PP, PL, PSD, PTB e Republicanos. Deste último partido, Bolsonaro pensa em fazer o deputado Marcos Pereira (SP) candidato a presidente da Casa. Pastor evengélico, Pereira é ligado à Igreja Universal, sua aliada. É no Republicanos que seus filhos Flávio e Carluxo se filiaram no Rio. Caso não emplaque Pereira, o mandatário pode lançar mão de Arthur Lira (PP-AL) para o projeto de dominar a Câmara. Em troca da adesão, o governo oferece aos parlamentares cargos em ministérios e estatais. O governo pretende, assim, lotear o governo como o PT de Lula fez no passado e que acabou no maior processo de corrupção da história — mensalão e petrolão.

ADESISTA Roberto Jefferson, do PTB: “Para derrubar Bolsonaro, só se for a bala” (Crédito: Igo Estrela)

O loteamento de cargos

O movimento de Bolsonaro nesse sentido foi deflagrado depois da derrota na ajuda bilionária aos Estados. O presidente reuniu-se com os líderes do Centrão e revelou a eles a existência desse plano mirabolante para derrubá-lo. Pediu-lhes adesão ao seu projeto de formar uma base na Câmara, com o isolamento de Maia e dos governadores. Para completar sua narrativa, saiu às ruas pedindo para os bolsonaristas desencadearem um movimento em que pedia-se o fechamento do Congresso e do STF.

Mesmo dizendo em público que “não quer negociar nada”, como fez naquele fatídico discurso na porta do QG do Exército no domingo 19, em apoio aos manifestantes que pediam a intervenção militar e um novo AI-5, Bolsonaro já negociava o loteamento das estatais. Entre os cargos de maior peso oferecidos estão o Banco do Nordeste, Dnit, FNDE e Funasa (veja quadro ao lado). Os caciques desses partidos, que totalizam 187 deputados, ficaram de atrair os 17 parlamentares do Avante e do Pros. Em uma só cajadada, Bolsonaro compraria 201 deputados. Como tem outros 100 parlamentares, distribuídos no PSL e em bancadas evangélicas, ele teria um pouco mais de 300 votos, suficientes inclusive para arquivar eventual processo de impeachment.

Bolsonaro contabiliza também o apoio de Roberto Jefferson, presidente do PTB, que foi preso no mensalão por ter recebido R$ 4 mi-lhões de Lula para aderir ao governo petista em 2003. Antes de apoiar o PT, foi da tropa de choque de Collor, que sofreu impeachment em 1992. Agora, o petebista está anunciando juras de amor a Bolsonaro. Em entrevista na terça-feira 21, disse que “há uma tentativa do Congresso em promover novo impeachment”, mas garantiu que haverá reação dos apoiadores do presidente. “Para derrubar Bolsonaro, só se for a bala.” Pode levar o Ministerio do Trabalho, a ser recriado.Quando soube que Bolsonaro havia “comprado” a adesão do PTB, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) divulgou documentos mostrando que as ligações dos dois são antigas. Em 2003, o deputado Bolsonaro era filiado ao PTB quando contratou o filho Eduardo como assessor da bancada petebista em Brasília, por R$ 9,8 mil mensais, apesar de o rapaz não comparecer ao trabalho. Agora, diz que Bolsonaro oferece cargos ao Centrão em estatais que movimentam R$ 100 bilhões, “para que esses partidos gastem os recursos na campanha municipal”. Para Kim, ao fazer as negociatas com esses partidos, “o presidente está usando de hipocrisia e canalhice, pois sempre negou fazer o jogo da velha política”. O vírus da negociata infectou Bolsonaro.


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