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As lutas e os dramas de uma médica que voltou ao Brasil para combater a pandemia

As lutas e os dramas de uma médica que voltou ao Brasil para combater a pandemia

A médica-cirurgiã Marise Gomes atende pacientes em um hospital de campanha instalado em uma quadra esportiva de Santo André, São Paulo, no dia 26 de março de 2021 - AFP


O que começou como uma viagem de Nova York para passar o carnaval com a família de repente virou em uma luta incansável contra o coronavírus. Em meio a seus próprios dramas, a médica Marise Gomes completa um ano salvando ou enterrando pacientes vencidos pela covid no Brasil.

A noite se aproxima no hospital de campanha de Santo André, município a 20 km de São Paulo. O estacionamento do estádio poliesportivo, que antes recebia atletas e torcedores, em um piscar de olhos fica lotado de ambulâncias trazendo jovens e idosos que lutam para respirar.

No que antes era uma quadra de basquete, Marise e um grupo de médicos e enfermeiras atendem dezenas de doentes de covid-19, que matou mais de 320.000 pessoas no Brasil. Com frequência, a tosse de algum paciente se sobrepõe ao barulho dos aparelhos de ventilação.

“Agora nossos pacientes são praticamente jovens, que não têm comorbilidades, que respondem mal, e que morrem, para nossa surpresa”, conta esta médica-cirurgiã de 53 anos, com tatuagem e piercing no nariz.

A explosão da pandemia surpreendeu Marise no país onde nasceu, mas que visita pouco desde que se radicou nos Estados Unidos há quinze anos.

Ela veio para o Brasil em fevereiro de 2020 para aproveitar o carnaval em um momento em que vários países já vislumbravam a magnitude da tragédia que se aproximava.

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– Inimigo em casa –

Ela poderia ter se engajado na luta contra a nova pneumonia em Nova York, onde trabalha e mora com o marido, Jack, um advogado americano de 74 anos, que chegou a São Paulo quando a pandemia se acelerou nos Estados Unidos.

Mas escolheu ficar, cedendo ao pressentimento de que o Brasil enfrentaria dificuldades.

“Pensei em voltar, comuniquei, mas de certa forma foram 14 anos em que eu não vi um paciente no meu país”, relata. “Como brasileira, achei que pudesse ser mais útil aqui”.

Ela fez contato com colegas da faculdade e em abril começou a trabalhar no hospital de campanha de Santo André, com 180 leitos e vizinho à cidade de São Bernardo do Campo, onde vive sua família, no cinturão industrial da capital econômica do país.

A pandemia começava a explodir no país à medida que o presidente Jair Bolsonaro minimizava os efeitos do vírus e se opunha às medidas de distanciamento, alegando seus efeitos econômicos.

A covid-19 logo bateu à porta desta especialista. O vírus levou dois tios seus, enquanto ela, assim como milhares de médicos e enfermeiros, trabalhavam em tempo integral para atender a uma demanda que não parava de crescer.

“As pessoas me diziam: ‘O que está fazendo aqui? Volta pra lá!’. Como se houvesse algum ‘lá’ que fosse perfeito”, lembra.

– Dor inesperada –

O desejo de ficar junto da mãe, dos três irmãos e dos sobrinhos foi virando miragem. Seu marido alugou uma casa em uma praia próxima e ela fazia malabarismos para evitar pôr sua mãe em risco.

“É difícil voltar para casa e se sentir rejeitada de alguma forma… Assim, contaminada”, afirma. Mas os cuidados evitaram que se contagiasse e agora, já vacinada, respira mais aliviada.

No entanto, é uma tranquilidade relativa. Seus olhos marejam e a voz embarga quando lembra do suicídio da irmã, uma profissional de saúde de 47 anos, em novembro. Uma depressão contra a qual ela lutava há anos venceu a batalha.

“É muita dor junta, mas ao mesmo tempo eu tenho visto tantas pessoas com uma dor tão maior do que a minha”, afirma.

Antes de terminar um dia extenuante, Marise lamenta não ver “uma mudança de comportamento” nos brasileiros pouco mais de um ano depois da detecção do primeiro caso de covid-19 no país.

Nas ruas, o uso de máscaras não é exigido por lei, as festas clandestinas são recorrentes e a vacinação avança lentamente.

“As imagens tomográficas que a gente vê são imagens terríveis em jovens de 22, 23, 25 anos de idade. É assustador. Sinto medo, medo pela população (…) porque [os doentes] não conseguem entender a magnitude do que eles estão tendo ou que eles vão viver no futuro”, confessa.

A médica diz esperar voltar em breve a Nova York, onde construiu sua vida. Enquanto esse dia não chega, ela vai continuar enfrentando o pior da pandemia ao lado de outros médicos e de enfermeiros, com hospitais à beira do colapso e recordes de mortes.

“Eu estou dando tudo o que tenho”, afirma.

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