PANDEMIA * 2020

As lições de Wuhan

A experiência da primeira cidade afetada pelo novo coronavírus sinaliza ao mundo as lições para combatê-lo e o difícil caminho para a retomada da vida normal

Crédito:  Hector RETAMAL / AFP

UNIÃO Após trabalharem juntas para enfrentar o novo coronavírus, enfermeiras comemoram o fim do surto em Wuhan (Crédito: Hector RETAMAL / AFP)


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Wuhan, a cidade chinesa de 11 milhões de habitantes onde surgiram os primeiros casos do novo coronavírus, tem muito a ensinar, não só para o Brasil mas para todas as nações. Dois terços dos 80 mil casos reportados no país aconteceram na cidade. Uma importante lição de Wuhan ao mundo ser refere à importância da transparência.

O maior símbolo é um herói: o médico Li Wenliang, oftalmologista que trabalhava no Hospital Central da cidade. Em dezembro, ele fez um alerta aos colegas sobre o surgimento de um novo coronavírus na cidade, semelhante ao causador da Síndrome Respiratório Aguda Grave (SARS). Foi reprimido pela polícia e, contaminado, faleceu em janeiro. Protestos da população contra o abafamento da notícia foram rapidamente apagados pelo governo das redes sociais. Caso o episódio tivesse sido tratado com rapidez, a história teria sido outra.

Providências teriam sido tomadas mais cedo para isolar os infectados. Wuhan é um importante ponto de conexão entre cidades da China e também do mundo. Ou seja, ali começou a propagação do vírus para o mundo. Outra lição a ser aprendida por Wuhan é o amplo uso de máscaras pela população, assim como o isolamento da cidade.

VITÓRIA Depois do isolamento, a província de Hubei voltou a ter tráfego de carros em suas ruas (Crédito: Getty Images)

Apesar de tardiamente, no dia 23 de janeiro, a China adotou a quarentena de cidades inteiras, o fechamento de comércio e de serviços não essenciais, além de restrição de viagens aéreas. “Para conter qualquer epidemia, ao menos um de três fatores precisam ser controlados: a fonte de infecção, a via de transmissão ou a população suscetível”, diz a médica Tânia Vergara, presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro. O isolamento é, portanto, uma forma comprovada de reduzir a transmissão.

Um aprendizado valioso se refere ao uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e à necessidade de ter um sistema hospitalar preparado para o grande número de pacientes.

Na cidade, a demanda era tão grande que muitos profissionais pulavam refeições para não terem de retirar os EPIs, e até usavam fraldas por não dar tempo de ir ao banheiro. Além disso, foi importante treinar exaustivamente a equipe médica sobre a correta forma de manuseio dos EPIs, principalmente ao retirá-los, para evitar infecções.

Antes de aplicar essas medidas, houve grande índice de contaminação. Em fevereiro, quase 2 mil trabalhadores da linha de frente tinham contraído a Covid-19. O governo rapidamente reagiu para atender o número crescente de pacientes e inspirou o mundo a fazer o mesmo: ginásios, escolas e centros de exposição foram utilizados para receber as vítimas e, em 12 dias, a China construiu 11 hospitais temporários. Por último e de maior importância está o erro de comercializar animais vivos. No país, mercados de animais silvestres são comuns.

Ambientes como esse facilitam a transmissão, e foi assim que se deu a ponte de animais para humanos de vírus como HIV e Ebola, uma vez que seus hospedeiros selvagens foram colocados em ambientes urbanos. A mais importante mensagem que o novo coronavírus dá ao mundo é a necessidade de uma campanha massiva que proíba a realização dessas vendas em todo o mundo.

Quarentena foi encerrada

Após 76 dias de confinamento, no dia 8 de abril Wuhan começou a retomar a rotina. Mas nada é como antes e ainda levará tempo para a cidade se restabelecer. Mais de 90% das companhias voltaram à atividade, mas o consumo de eletricidade ainda é 20% inferior ao mesmo período do ano passado. As pequenas empresas são as mais afetadas, e não devem recontratar os funcionários demitidos com facilidade. As pessoas ainda são aconselhadas a permanecer em casa o máximo possível. Aos poucos o tráfego de carros volta às ruas, mas as escolas estão com os portões fechados, sem previsão para a volta das aulas presenciais. O mesmo acontece com teatros, cinemas, ginásios esportivos e restaurantes, cujo serviço se limita a refeições para viagem — este é um dos segmentados mais afetados.

Lojas agora vendem mercadorias preferencialmente em balcões voltados para rua. Os táxis voltaram a levar passageiros, assim como linhas de trem e balsas que trafegam pelo grande rio Yangtzé. O controle, porém, é rigoroso: para entrar em escritórios comerciais e estações de trem, é preciso medir a temperatura e mostrar o aplicativo oficial de celular que sinaliza se o cidadão tem sintomas da Covid-19 ou esteve perto de algum caso confirmado. Para viajar de Wuhan a Pequim é preciso superar uma grande burocracia.

Além de se submeter a testes do vírus em ambas as localidades, é preciso aguardar autorizações do governo e ainda conseguir uma vaga no limite diário de mil viagens por dia. Os comércios já estão abertos, mas com controle do número de pessoas dentro dos estabelecimentos e recorrente inspeção de policiais sobre a disposição das mercadorias. As pessoas ainda têm medo, principalmente que a epidemia volte a explodir. Ninguém no mundo conhece melhor os efeitos da doença do que os habitantes da cidade.

ALÍVIO Camas vazias de um hospital de campanha que recebeu vítimas do novo coronavírus durante a crise (Crédito:Noel Celis / AFP)

 



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