Edição nº2496 12.10 Ver edições anteriores

As explicações do Brasil?

As clássicas interpretações do Brasil não dão mais conta da complexidade da sociedade contemporânea. Ficaram datadas. Representaram um momento de transição de um país rural para um país urbano. Casa Grande e Senzala (1933), Evolução Política do Brasil (1933) e Raízes do Brasil (1936) — poderia ser acrescentado Os donos do poder (1958) — registraram um Brasil que desapareceu especialmente à partir da redemocratização em 1985.

A intensificação do processo de industrialização, a ocupação do centro oeste, os últimos grandes deslocamentos populacionais internos e a formação das metrópoles deram ao Brasil uma nova formação, muito mais complexa do que a da primeira metade do século XX.

Esse novo País está à espera de explicações, de interpretações, de desenhos — mesmo que imaginários — do que
é e do que será o Brasil. A existência de grandes cidades — todos elas marcadas pela desorganização espacial, social e cultural — é um enorme desafio analítico. Como sabermos para onde irão se não conseguimos compreendê-las?

O Brasil mantém suas desigualdades regionais — mas qual país não as têm? — e sociais. Combina setores econômicos avançados com outros atrasados. Nas cidades, diferentes tempos convivem no mesmo espaço urbano. A velha contradição dos dois brasis — basta recordar o livro de Jacques Lambert — se mantém presente, só que potencializada pelas contradições de um sistema econômico-político anacrônico.

As antigas identificações nacionais estão desaparecendo. Hoje, nos morros cariocas, o funk — e, em menor escala, o rap — ocupam o lugar do samba. O carnaval perdeu sua importância. A cordialidade está sendo substituída pela intolerância.

A violência passou a ocupar um lugar privilegiado no dia a dia como nunca na nossa história. As chacinas foram se banalizando e territórios liberados, controlados pelo crime organizado, são uma constante e encarados como fatalidade. A política foi tomada pelos inescrupulosos. Não há paralelo histórico e nem cabe — como é hábito entre aqueles que comungam do senso comum — imputar à herança ibérica as nossas mazelas. É uma questão que foi se agravando, paradoxalmente, após a redemocratização. E o pensamento político? Há pensamento político? Em meio a tudo isso, as universidades se mantêm como arcaicas repartições públicas.


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