As digitais do ‘mito’ estão no assassinato cruel do rapaz sergipano

Crédito: Montagem: AFP/Reprodução

(Crédito: Montagem: AFP/Reprodução)

Quem me acompanha desde 2014, quando comecei a escrever publicamente no Facebook, e desde então, pela ordem, no blog Opinião Sem Medo – atualmente uma coluna do Portal UAI e do jornal Estado de Minas Digital – e em seguida na revista IstoÉ, sabe muito bem qual é minha orientação política e ideológica: sou um liberal de centro-direita.

Porém, é sempre bom esclarecer aos ignorantes e celerados, que tal condição não só não me priva do mais sincero e presente senso de humanismo e solidariedade, como não me afasta de causas sociais que considero justas: políticas assistencialistas, alguns tipos de cotas, direitos humanos, causas LGBTQIA+, combate a qualquer tipo de preconceito, etc.


Não sou do tipo que costuma se solidarizar nem muito menos ter pena de criminosos. Por mim, sendo menos violentos, deveriam puxar ‘cana pesada’. Sendo violentos, então, prisão perpétua e até pena de morte (não sou contra). E que fique ainda mais claro: não comungo com nenhum tipo de crime; nem que seja uma mísera rachadinha, se é que me entendem.

Agora, jamais, em tempo algum, fui, sou ou serei a favor da violência policial, ou melhor, do Estado. Seja lá com quem for! Um estuprador deve ser preso e condenado, como disse acima, com o máximo rigor. Contudo, não é papel da Polícia o justiçamento, seja a violência desnecessária e até, o que não é raro no País, o extermínio (esquadrões da morte).

Não considero aceitável nem muito menos ‘dano colateral’ as mortes de inocentes ocorridas durante operações policiais nas periferias e favelas do País. Não considero admissível o abuso de poder e a violência física sob o pretexto de ‘normas e padrões’ de abordagem. Já fui vítima desse tipo de coisa e sei bem do que estou falando.

A Polícia brasileira é uma das mais violentas do mundo, e isso é fato! Como é fato que é uma das mais mal-treinadas, mais mal-remuneradas, mais desprotegidas e mais agredidas também. Estamos falando de um círculo vicioso que se retroalimenta: bandidos matam policiais, que matam bandidos e, no meio do caminho, vitimizam os inocentes.

Mas há, também, os casos que extrapolam – e muito!! – as adversidades cotidianas a que operações policiais estão sujeitas. Eu falo, aqui, de milícias assassinas ou mesmo de espancamento de pessoas nas ruas, principalmente os mais pobres e humildes. O caso ocorrido em Sergipe, de que trato a seguir, se insere nesta questão – e não há desculpas.

Policiais rodoviários simplesmente executaram um cidadão em uma espécie de câmara de gás em que transformaram a viatura. Um homem doente, com problemas psíquicos, foi espancado, atirado no carro e assassinado com gás lacrimogêneo e de pimenta, em situação análoga às tenebrosas câmaras de gás dos campos de concentração nazistas.

As imagens não deixam sombra de dúvida da intenção deliberada dos policiais. Mas a Corporação emitiu um comunicado lacônico, mentiroso e atenuador. Pior. O presidente da República, até o momento ao menos, não se manifestou a respeito, lembrando que é ele o responsável pela Polícia Rodoviária Federal. Aliás, vive repetindo isso.

Bolsonaro não perde uma única oportunidade de incentivar a violência policial. Não são raros os tuítes ou declarações dele, de seus filhos e de seus apoiadores nesse sentido. Particularmente, também acho que ‘bandido bom é bandido morto’, mas aqui não estamos falando de bandido. O problema é que, para essa gente tosca, é tudo igual.

Repito: Bolsonaro incentiva a violência policial, sim! E incentiva a impunidade diante da violência praticada por policiais – maus policiais, saliente-se muito bem! Não é exagero dizer que o presidente tem responsabilidade pessoal e direta pelo ocorrido, pois parte dele o ‘libera geral’. É ele quem dá o tom e o exemplo do que deve ser feito pela PRF.

Ora, Bolsonaro acredita que ‘população armada jamais será escravizada’. Por que, então, seu pensamento a respeito do Estado armado seria diferente? Não é à toa sua tara pelo tal ‘excludente de ilicitude’ ou o fim das câmeras nos uniformes dos policiais O assassinato ocorrido tem, portanto, as digitais de Bolsonaro e do bolsonarismo sim, senhores.

Os assassinos devem ser imediatamente presos. O chefe da PRF deve ser imediatamente exonerado pela reação – no mínimo! – relativizadora, para não dizer conivente. E Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, deve ser alijado da Presidência da República. Infelizmente, ao que parece, seu substituto, o meliante de São Bernardo, não é melhor.

Se o bolsonarismo deseja ver sangue nas ruas, o lulopetismo deseja a bandidagem nas ruas. Fernando Haddad, por exemplo, disse que prendemos demais e que gostaria de diminuir a população carcerária. Já o chefão do mensalão e do petrolão quer soltar os adolescentes que roubam celular. Sabem como é, né? Justiça social, eles dizem.

Lula e Bolsonaro, em vias opostas, representam, no limite, cada um a seu modo, mais violência e mais mortes. Não a deles e de seus, é claro, mas as nossas e de nossos queridos. O Brasil é um País pobre e violento também por causa da omissão, conivência e cumplicidade de políticos com maus policiais, como os assassinos do rapaz em Sergipe.






Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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