As criptomoedas vieram para ficar

Nem sempre tive esta certeza. Eu as acompanho desde o surgimento do Bitcoin em 2010. De cara, encantei-me com a regra de criação de uma quantidade limitada da nova moeda, mas, de início, desconfiei da criptografia que permitiria que ela pudesse ser emitida, transacionada e guardada no meio digital, sem nenhum governo por trás.
Sabendo que a oferta de moedas como dólar, euro e real cresceria muito nos anos seguintes, eu sabia que uma moeda com crescimento de oferta limitado, como o Bitcoin, deveria subir significativamente de preço em relação a estas moedas tradicionais… Ao menos se considerando apenas o lado da sua oferta. Meus medos eram que o Bitcoin não fosse aceito para transações e que as pessoas tivessem receio de investir nele, limitando sua demanda. As criptomoedas são cada vez mais aceitas como forma de pagamento. Cresce o número de empresas que pagam salários e investem em criptomoedas. No último trimestre, todo o lucro da Tesla veio de investimentos em criptomoedas e venda de créditos de compensação de emissão de carbono. Criptomoedas e tokens vêm sendo regulamentados, possibilitam investimentos em projetos que vão da preservação da Amazônia a ativos ligados ao futebol e permitem investimentos de valores baixos. Há anos, já podem ser comprados e vendidos com facilidade e segurança e guardados digitalmente através de plataformas como o Mercado Bitcoin, a maior plataforma de criptomoedas e ativos digitais na América Latina.

Para completar, com a queda das taxas de juros, tivemos de buscar novos investimentos mais rentáveis, como já acontecia no resto do mundo. Com juros baixos aqui, o Real se desvalorizou — elevando, para nós, a rentabilidade de ativos cotados em moedas estrangeiras, como a maioria das criptomoedas.

No último trimestre, todo o lucro da Tesla veio de investimentos em moedas digitais e venda de créditos de compensação de emissão de carbono

Com pouco crescimento de oferta e aumento de procura, os ativos digitais têm se tornado escassos, impulsionando seu preço. Quem investiu em Bitcoin no seu surgimento, em 2010, e manteve o investimento até hoje, teve de aguentar o tranco de várias correções de preço de mais de 80%, três delas só nos últimos oito anos, mas quem investiu R$100 tem agora cerca de R$175 milhões. Nada mal, né?

É possível que outra grande correção temporária de preços esteja próxima ou até já esteja acontecendo. O ponto é que as criptomoedas já compõem hoje uma classe de ativos que merece uma alocação na carteira de quem tem um dinheirinho para investir. Aliás, eventuais correções de preço, principalmente as grande, criam ótimas oportunidades.


Sobre o autor

Economista, apresentador do "Manhattan Connection" (Globo News) e presidente da Ricam Consultoria (www.ricamconsultoria.com.br)


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