As perspectivas para a economia este ano não alvissareiras. Mesmo que o PIB cresça 3,2% em 2021, como o Banco Central está prevendo, a recuperação econômica será apenas parcial, considerando a queda de 4,1% em 2020. Alguns economistas, e até banqueiros, consideram que o cenário é de inflação alta e baixo crescimento para este ano, o que já poderia levar à ameaça de estagflação.
A estratégia atual do BC, portanto, é no sentido conter o aumento do dólar e, ao mesmo tempo, mostrar que está atento à pressão inflacionária sobre os preços internos, sobretudo em razão dos custos mais elevados das matérias primas importadas. Por isso, segundo esses economistas, todos os esforços sinalizam para o aumento da taxa básica de juros, que pode chegar a mais de 5% ao ano. Com a alta da Selic iniciada em março, o Banco Central prepara um o cenário para a volta do crescimento econômico de forma mais duradoura somente a partir de 2022.
Com uma possível desaceleração a partir de junho, o IPCA, que mede a inflação ao consumidor, não é uma questão “de demanda”, como afirma André Braz, um dos coordenadores da FGV-Ibre. Ele calcula que o IPCA deve fechar o período de 12 meses, em junho, em torno de 8% – muito acima do teto da meta, que é de 5,25%. “A inflação persiste desde meados de 2020 e, ao mesmo tempo, o desemprego também está em alta. Estes são sinais de uma estagflação”, assegura Braz.
O economista observa que nos últimos anos o Banco Central tentou recuperar a atividade econômica ao manter os juros baixos, ou seja, deixando o custo do dinheiro menor, incentivando a expansão dos negócios. Essa estratégia, contudo, ficou prejudicada a partir de 2020 com a pandemia. Além do aumento de incertezas diante do ambiente fiscal do governo federal, que levou ao descontrole das contas públicas, acelerou-se a desvalorização do real e as empresas brasileiras passaram a exportar mais, sobretudo para a Ásia, pressionando os preços internos, devido à menor oferta de produtos para o comércio local. Para que a esperada recuperação econômica dê certo, Braz adverte que o ritmo da vacinação contra a Covid precisa ser incrementado. Há uma preocupação também em relação à disputa eleitoral do ano que, de modo que as escaramuças políticas não afetem o desempenho da economia. A ver.