Cultura

Armadas e perigosas, Sandra e Melissa divertem

Bem-amada, Sandra Bullock sempre foi. Tendo se iniciado como heroína de ação nos anos 1990, com filmes como O Demolidor, Velocidade Máxima e A Rede, logo ela estava mudando o perfil para ingressar numa fase de filmes mais leves e românticos. O estouro ocorreu com Miss Simpatia, que teve direito a continuação.

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Transformada numa figura de ponta da indústria do entretenimento, foi a atriz que mais faturou, segundo o Guinness Book of World Records de 2012. Somando popularidade ao prestígio, ganhou o Oscar por Um Sonho Possível e foi a estrela (quase) solitária de Gravidade, pelo qual Alfonso Cuarón recebeu o prêmio de direção de 2013, iniciando o reinado dos mexicanos que prosseguiu com Alejandro González Iñárritu (Birdman e O Regresso), Guillermo Del Toro (A Forma da Água) e culminou com o segundo Oscar de Cuarón, por Roma.

Sandra, que tem um nome do meio pouco conhecido – Annette -, pegou em armas no papel da agente do FBI que se infiltra e vence o concurso de Miss Simpatia. Eis que ela, de novo como agente do FBI e agora em dupla com Melissa McCarthy, estrela As Bem-Armadas. A comédia de Felix Feig é a divertida atração do canal Fox, às 6 da tarde. Prepare-se para rir bastante.

A ideia do roteiro de Katie Dippold é criar uma dupla improvável. Sandra faz uma agente chatinha – Sarah Ashburn – que as circunstâncias forçam a se unir com Melissa na caçada a um narcotraficante. Melissa faz a detetive Shannon Mullins, que tem a boca mais suja do departamento de polícia de Boston. As duas passam o tempo mais brigando entre si do que correndo atrás do criminoso, mas é claro que chegam lá.

Embora siga o figurino das histórias de duplas de policiais – com mulheres no lugar de homens -, As Bem-Armadas destaca-se pela empatia das atrizes e por piadas ótimas, propiciadas pela história e que não parecem nem um pouco forçadas. É assim que surge um personagem albino, aparecem umas pinturas de Jesus como atleta e, lá pelas tantas, nossa policial preferida tem de usar uma cinta sob a roupa.

Buscando a aproximação com um ‘buddy cup movie’ tradicional, pode-se comparar As Bem-Armadas a Máquina Mortífera, com Melissa como a versão feminina do incontrolável Mel Gibson e Sandra como Danny Glover, preocupada com a carreira e a ordem. No que não deixa de ser sintomático dos preconceitos que regem a indústria, Melissa virou um nome, como a própria Sandra, assumindo o físico fora dos padrões e renovando o papel da gorda sem superego, mas com o coração do tamanho de um ônibus.

Melissa sempre disse que esse tipo de papel era só uma fase. Chegou a ser indicada para o Oscar numa personagem dramática em Poderia Me Perdoar?, no ano passado. Se o filme merece alguma ressalva é por um aspecto não pouco negligenciável – é violento, demais para uma diversão leve.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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