Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Dezenas de mulheres marcharam nesta segunda-feira (27) até a embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires para repudiar a decisão da Suprema Corte americana que revogou o direito federal ao aborto, legalizado na Argentina em dezembro de 2020.

“O que aconteceu nos Estados Unidos, essa decisão que retira a possibilidade de continuar interrompendo a gestação, é uma injustiça total e representa uma afronta aos direitos humanos das mulheres”, declarou à AFP Nina Brugo Marcó, uma advogada argentina de 78 anos que integra a chamada Campanha pelo Aborto Legal, Seguro e Gratuito, que impulsionou a legalização na Argentina.

As manifestantes levavam bandeiras e lenços verdes, símbolo da luta pela legalização do aborto na Argentina e que se internacionalizou.

“Sabemos que, como aconteceu em nosso país, é uma dura batalha, mas que pode ser vencida e serve para enfrentar este avanço dos setores antidireitos. Hoje, e mais do que nunca, a solidariedade internacional é necessária, assim como a maré verde que cruzou fronteiras na época”, afirmou Celeste Fierro, dirigente feminista do Movimento Socialista dos Trabalhadores (MST).

A manifestação repudiou a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que atualmente é majoritariamente conservadora e derrubou na sexta-feira a jurisprudência da sentença Roe vs. Wade, que garantia o direito ao aborto às americanas desde 1973.

Essa decisão “é um soco no estômago. Embora soubéssemos que ela estava próxima, isto será incrivelmente prejudicial às mulheres e meninas nos Estados Unidos”, disse à AFP Julia McReynolds-Perez, uma professora americana de sociologia, que está em Buenos Aires fazendo uma pesquisa sobre a legalização do aborto na Argentina.

A docente da Carolina do Sul, de 45 anos, insistiu que seu país está “retrocedendo facilmente 50 anos, para a era anterior a Roe vs. Wade”, e advertiu que, com a atual configuração da Suprema Corte, “o casamento igualitário, os direitos reprodutivos, a anticoncepção… estão todos sobre a mesa como direitos que corremos o risco de perder nos próximos meses e anos”.