Argentina acusada de racismo no Rio denuncia ameaças de morte e estupro na web

Advogada Agostina Páez divulga mensagens misóginas e discursos de ódio recebidos após o caso

A advogada argentina Agostina Páez, acusada de racismo no Brasil
A advogada argentina Agostina Páez, acusada de racismo no Brasil Foto: Reprodução

A advogada Agostina Páez, de 29 anos, detida no Rio de Janeiro por acusações de racismo, divulgou ao menos 31 mensagens com ameaças e discurso de ódio recebidas em sua conta de Instagram. Várias apresentam tom misógino, com desejos de que a argentina seja assassinada ou violentada sexualmente.

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Não é a primeira vez que Páez vem a público para se queixar de ameaças sofridas. Em entrevista ao jornal argentino TN, ela relatou não se sentir segura. “Há uma campanha antirracista com minha imagem”, disse. “Estou em perigo. Há muitas ameaças de brasileiros, de todo tipo.”

Parte dos comentários ameaçadores compartilhados recentemente são de perfis de estrangeiros, o que revela também a dimensão internacional que o caso ganhou. Há ainda mensagens de perfis brasileiros traduzidas para o espanhol, postadas diretamente em português ou ainda de perfis que postam apenas em inglês.

Algumas das mensagens ameaçadoras recebidas por Agostina Paez, advogada argentina acusada de racismo no Brasil

Algumas das mensagens ameaçadoras recebidas por Agostina Páez, advogada argentina acusada de racismo no Brasil

Nas mensagens mais violentas, os internautas chegam a desejar que Agostina Páez seja vítima de violência sexual de grupo, torturada, assassinada ou presa perpetuamente, o que é proibido no Brasil.

A publicação das ameaças quebra um breve silêncio da jovem, que havia excluído publicações e vídeos nos quais se defendia das acusações. Páez afirma que se sente em risco no Brasil, e evita sair de casa enquanto permanece obrigatoriamente no país, monitorada por uma tornozeleira eletrônica.

Relembre o caso de racismo do qual a argentina é acusada

O crime teria ocorrido no dia 14 de janeiro, quando uma das vítimas compareceu à delegacia e relatou ter sido alvo de xingamentos de cunho racial durante uma discussão.

O início da briga teria envolvido o pagamento da conta do bar em Ipanema onde as quatro vítimas trabalhavam. A turista teria apontado o dedo para o trabalhador e utilizado a palavra “mono”, que significa macaco em espanhol. Em vídeos, ela aparece imitando gestos e sons do animal.

As condutas criminosas foram registradas em vídeo pela própria vítima e confirmadas após análise das imagens de câmeras de segurança. O crime de injúria racial – previsto no artigo 2º-A, caput, da Lei nº 7.716/89 – prevê pena de prisão de dois a cinco anos.