Argentina acusada de racismo no RJ se reúne com ex-ministra de Milei

Justiça do Rio revogou medidas cautelares e influenciadora advogada retornou a Buenos Aires após fiança de R$ 97 mil

A advogada argentina Agostina Páez, acusada de racismo no Brasil
A advogada argentina Agostina Páez, acusada de racismo no Brasil Foto: Reprodução

A advogada e influenciadora Agostina Páez — argentina que imitou um macaco para funcionários de um bar em Ipanema (RJ) no início de 2026 — retornou ao país de origem no dia 1° de abril. Ré em um processo por injúria racial na Justiça fluminense, ela conseguiu realizar a viagem após a retirada da tornozeleira eletrônica e o pagamento de fiança de R$ 97 mil.

Assim que chegou a Buenos Aires, Páez deu declarações polêmicas: disse-se a “inimiga número 1 do Brasil” e afirmou que os brasileiros “tratam mal” os argentinos. Depois, a advogada posou ao lado da senadora Patricia Bullrich, ex-ministra de Segurança Nacional do governo de Javier Milei e uma das representantes da direita na Argentina.

Por meio de seu perfil pessoal, Bullrich, que também concorreu à presidência argentina em 2023, compartilhou seu encontro com Agostina “antes de voltar para casa e ficar com a família”. Na publicação, a parlamentar elogiou o “grande trabalho” dos advogados que conseguiram que Páez deixasse de cumprir medidas cautelares, acompanhado do “apoio inabalável de sua família e o respaldo do governo”.

Em vídeo gravado com Agostina, a senadora afirmou que o juiz responsável pelo caso no Rio de Janeiro, em decisão que beneficiou a advogada argentina, “disse que tinham feito tudo errado”.

Agostina, então, disse que seus dias “pararam por três meses”. Bullrich aconselhou a advogada e afirmou: “Você viveu uma experiência que irá fortalecê-la na vida”.

Páez usava o equipamento de monitoramento desde o dia 21 de janeiro, quando passou a responder ao processo por injúria racial no Brasil. Ela havia passado a ser investigada após imagens dela imitando um macaco para funcionários de um bar em Ipanema viralizarem nas redes sociais.

Em fevereiro, ela chegou a ser presa pela Polícia Civil do RJ em um apartamento alugado em Vargem Pequena, zona oeste carioca. O mandado de prisão, no entanto, foi revogado pela Justiça horas depois.

Recentemente, o caso teve uma reviravolta quando o juiz Luciano Barreto Silva, do Tribunal de Justiça do Rio, concedeu habeas corpus à argentina e criticou a manutenção das medidas cautelares pela primeira instância.

No dia 24 de março, uma audiência de instrução e julgamento foi realizada na 37ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, com a presença da argentina acusada e de três pessoas ofendidas por ela.