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Argentina fecha acordo com FMI para pagamento de dívida

BUENOS AIRES, 28 JAN (ANSA) – O presidente da Argentina, Alberto Fernández, anunciou nesta sexta-feira (28) que chegou a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para a reestruturação do pagamento de uma dívida de mais de US$40 bilhões.   

“Tínhamos uma dívida impagável que nos deixava sem presente nem futuro e agora temos um acordo razoável que nos permitirá crescer e cumprir nossas obrigações com nosso crescimento”, disse o líder argentino.   


“Sofremos um problema e agora temos uma solução com um acordo sem restrições”, acrescentou.   

Fernández enfatizou que o governo da Argentina chegou a um acordo com o FMI, que “não contempla restrições que atrasam nosso desenvolvimento”, “mas sim promove o investimento em obras públicas”.   

“Este acordo não nos condiciona, vamos poder agir exercendo a nossa soberania e levar a cabo as nossas políticas de crescimento, desenvolvimento e justiça social. Temos que crescer para poder pagar”, explicou.   

O presidente não deu detalhes sobre o acordo, que deve aliviar o ônus dos vencimentos da dívida concentrada neste ano (cerca de US$ 19 bilhões) e no próximo (mais US$ 20 bilhões).   

Em coletiva de imprensa, o ministro da Economia, Martín Guzmán, forneceu alguns detalhes do acordo e afirmou que “não terá efeito sobre as taxas de câmbio”, aludindo a rumores de uma possível desvalorização do peso que circularam nos últimos dias.   

Guzmán disse ainda que o acordo permitirá à Argentina “ter uma política publica moderadamente expansionista” sem medidas de austeridade, com o objetivo de reduzir gradualmente o déficit primário.   

Segundo o ministro argentino, o déficit primário em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) será de 2,5% para 2022, 1,9% para 2023 e 0,9% para 2024. Além disso, Guzmán ressaltou que foi acordado com o FMI avançar uma abordagem global em relação à inflação, que atualmente gira em torno de 50% ao ano.   

O FMI concedeu à Argentina em 2018, durante o governo de Mauricio Macri (2015-19), um empréstimo de US$ 57 bilhões em meio a uma crise cambial, dos quais o país recebeu cerca de US$ 44 bilhões, uma vez que Fernández renunciou às parcelas pendentes quando assumiu o cargo em dezembro de 2019. (ANSA)