Argentina enfrenta novamente os vencimentos da dívida externa

Argentina enfrenta novamente os vencimentos da dívida externa

Apenas nove meses depois de fechar uma reestruturação de 66 bilhões de dólares da dívida com o exterior, a Argentina enfrenta novamente os vencimentos de suas dívidas, agora com o Clube de Paris e o Fundo Monetário Internacional.

Na segunda-feira, a Argentina deve cancelar cerca de 2,5 bilhões de dólares ao Clube de Paris, apesar de ter 60 dias de carência para efetuar o pagamento sem cair em default. É a última parcela de uma dívida que foi renegociada em 2014.

“É o vencimento mais relevante do ano. É difícil que o governo chegue a um acordo antes de segunda-feira e provavelmente use o período de carência para continuar negociando”, considerou o economista Joaquín Waldman, da consultora Ecolatina.

Em busca de um alívio, o presidente de centro-esquerda Alberto Fernández fez há duas semanas uma viagem por Portugal, Espanha, França e Itália, na qual obteve declarações de apoio dos seus governantes às suas negociações para aliviar a carga das dívidas.

Ele também foi recebido pelo seu compatriota, o papa Francisco, e se reuniu em Roma pela primeira vez pessoalmente com a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, que classificou o encontro como “construtivo”. Nesta semana, também conversou virtualmente com a chanceler alemã, Angela Merkel.

O desafio agora é transformar essas declarações em atos concretos que evitem a queda da Argentina em um novo default.

Ao assumir a presidência em dezembro de 2019, Fernández renunciou às parcelas pendentes do crédito da Argentina durante o governo de seu antecessor Mauricio Macri por cerca de 57 bilhões de dólares. Desse valor, a Argentina conseguiu arrecadar cerca de 44 bilhões.

Substituindo esse programa, o governo implementou um acordo de facilidades estendidas.

– Pagamentos cumpridos –

Fernández enfatizou que seu governo fará de tudo para não cair na inadimplência, um fantasma que assombra este país que em 2001 declarou o maior default da história.

Até agora, a Argentina cumpriu seus pagamentos ao FMI: 300 milhões de dólares em juros em fevereiro e outros 300 milhões em maio. Neste ano, estão pendentes os juros por 350 milhões de dólares em agosto e 400 milhões em novembro. Também há vencimentos de capital por 1,9 bilhão de dólares em setembro e outros 1,9 bilhão em dezembro.

As negociações com o FMI estão complicadas devido às eleições parlamentares que acontecerão em novembro, em um momento em que o governo está esgotado pela crise econômica, com a pobreza e a inflação em alta, e o país se encontra no pior momento da pandemia de covid-19, que deixa mais de 76.000 mortes.

Além dos cerca de 5 bilhões de dólares que devem ser pagos este ano ao FMI, a Argentina terá vencimentos de quase 40 bilhões de dólares entre 2022 e 2023, um valor quase impossível para este país que enfrenta seu terceiro ano de recessão e está excluído do mercado de capitais.