Argentina condena ex-militares por crimes durante a ditadura

BUENOS AIRES, 8 JUL (ANSA) – Um tribunal federal argentino em San Martín condenou 19 ex-militares e policiais à prisão na última quinta-feira (7) em um julgamento por crimes graves cometidos contra pelo menos 347 vítimas durante a ditadura militar do país (1976-1983).   

Os juízes, citados pela agência de notícias Telam, decretaram, entre outras coisas, 10 penas de prisão perpétua, sendo uma contra o ex-general Santiago Omar Riveros, de 98 anos. Ele vai cumprir perpétua após ser declarado culpado de mais de uma centena de crimes, incluindo sequestro, estupro e assassinato.   

Há apenas quatro dias, Riveros foi condenado a outra prisão perpétua no caso dos chamados “voos de morte”, em que oponentes presos e torturados eram jogados vivos no mar ou no Rio da Prata.   

Ao ler o veredicto, o júri ressaltou que os factos julgados “são constitutivos de crimes contra a humanidade e, consequentemente, imprescritíveis”.   

Além dos 10 réus condenados à prisão perpétua, outros nove receberam sentenças que variam entre quatro e 22 anos de reclusão.   

Entre as condenações há também uma acusação de que sete trabalhadores foram sequestrados em uma fábrica da Mercedes Benz nos subúrbios de Buenos Aires a partir de 1976 pelas forças militares com o apoio de executivos da empresa.   

Além disso, a promotora Gabriela Sosti havia argumentado que, na época da ditadura, vários centros de detenção e tortura haviam sido instalados na vasta propriedade militar de Campo de Mayo, como “El Campito”, “Los Tordos” e “La Casa”. Neles, acredita-se que mais de 6 mil pessoas foram internadas, com “uma taxa de sobrevivência inferior a 1%”. (ANSA)