O presidente e seus três filhos políticos têm o dom de transformar amigos devotos em inimigos vorazes. O mandatário acha que todo mundo que o cerca quer lhe puxar o tapete, articular seu impeachment ou mandá-lo para a cadeia. Foi o caso do general Mourão, que ele colocou na geladeira. A primeira vítima dessa esquizofrenia de Jair, contudo, foi Bebianno, ministro que ficou só um mês no cargo e foi derrubado após intrigas de Carluxo. Antes de morrer por ataque cardíaco em março de 2020, embora praticante de jiu-jitsu,com saúde invejável, contou à ISTOÉ que tinha muitas provas de malfeitos de Bolsonaro e que poderia divulgá-las. Morreu abandonado na beira da estrada, com muita mágoa, e até hoje muitos não acreditam em morte natural, como os legistas do Rio atestaram.

Inimigos

A lista de inimigos íntimos é enorme. Começa por Paulo Marinho, empresário que cedeu sua mansão no Rio para transformá-la em estúdio de gravações das campanhas de 8 segundos de Bolsonaro na TV. Depois passa por Santos Cruz, demitido do ministério seis meses após a posse, além de outros nove generais escorraçados do governo e apunhalados pelas costas.

Weintraub

A relação dos políticos jogados ao mar pelo capitão é infindável, como Joice, delegado Waldir e Frota, etc. Mas quem mais deu o que falar nos últimos dias foi Abraham Weintraub, xingado por Eduardo Bolsonaro de “filho da puta”. O ex-ministro ficou tão furioso que fez uma live para atacar o presidente e dizer que ele terceirizou o governo para o Centrão.

Acarajé apimentado

Bolsonaro e seus três filhos políticos são arautos do ódio
Pedro Ladeira

O tempo fechou no União Brasil (fusão do DEM, de ACM Neto, com o PSL, de Luciano Bivar). Os dois líderes nordestinos se estranharam por conta da chegada do ex-juiz Sergio Moro à legenda, pelas mãos de Bivar. Anti-lavajatista, ACM ameaçou cassar a filiação, mas Bivar lembrou que ele tem maioria dos delegados e poderia suspender a legenda para o ex-prefeito de Salvador a disputar o governo.

Retrato falado

Bolsonaro e seus três filhos políticos são arautos do ódio
“O TSE jamais aceitará intervenção nas eleições” (Crédito:Eduardo Matysiak)

Apesar de ser mais introspectivo do que os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, o ministro Edson Fachin, novo presidente do TSE, perdeu a calma na sexta-feira, 29, ao rebater as insinuações feitas pelo capitão Jair Bolsonaro sobre a lisura das eleições, sugerindo que haja uma contagem paralela de votos no tribunal com o monitoramento do Exército. Fachin disse que pode até acatar sugestões para melhorar a estrutura do pleito, mas “intervenção, jamais”.

A OCDE mais distante

Não é surpresa para ninguém que o Brasil luta com unhas e dentes, desde o governo Temer, em 2017, para ser aceito como um dos países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Bolsonaro é fissurado nisso. Afinal, esse é o clube dos países ricos e quem dele participa tem uma série de benesses na área do comércio internacional e financiamentos para o crescimento da economia de forma mais sustentável. Mas, para ser um dos integrantes desse privilegiado agrupamento, o País precisa aderir às boas práticas de respeitar o meio ambiente e respeitar as medidas de mitigação das mudanças climáticas previstas no Acordo de Paris.

Mulheres no comando

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Bruno Rocha

Zeina Latif, ex-economista-chefe da XP Investimentos, é a nova secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, após ser nomeada para o cargo pelo governador Rodrigo Garcia na quinta-feira, 28. Ela entra no lugar de Patrícia Ellen. Latif é uma das consultoras econômicas mais influentes no País e unirá o liberalismo à gestão pública.

Novos nomes

O novo governador paulista está promovendo outras mudanças no secretariado estadual, como Laura Muller Machado (Desenvolvimento Social) e Felipe Salto (Fazenda e Planejamento), que assumirá o posto que era do ex-ministro Henrique Meirelles, coordenador econômico da campanha de João Doria. Já em nomes como Cleber Mata (Comunicação) ele não mexerá.

Desmatamento ilegal

Para isso, o Brasil precisa tomar providências mais enérgicas no combate ao desmatamento na Amazônia. Afinal, o País acaba de receber o desonroso título de ter sido líder, em 2021, na perda de florestas tropicais no mundo: respondemos pela derrubada de 40% das matas registradas no mundo.

Até tu, jaburu

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Sérgio Lima

Um dos mais polêmicos procuradores-gerais da República, Rodrigo Janot, se filiou ao Podemos e pode vir a ser candidato a deputado por Brasília. Ele ainda avalia os efeitos para a vida pessoal e se deverá mesmo disputar a Câmara. A presença de Deltan Dallagnol no partido e os apelos dos colegas o animaram: ele esteve por trás do grampo em Temer no Jaburu.

Toma lá dá cá

Bolsonaro e seus três filhos políticos são arautos do ódio
Junior Bozzella, presidente do União Brasil no estado de São Paulo (Crédito:Divulgação)

Como vê a crise institucional provocada por Bolsonaro?
O recente indulto que ele concedeu ao Daniel Silveira é um exemplo do quão grave é o momento. Foi uma tentativa de coação do STF e uma ameaça à democracia.

O que está por trás desse gesto?
Foi um recado para a Corte de que ele está disposto a usar a caneta caso os seus filhos sejam presos pelos crimes que vêm sendo investigados.

Acha que Moro ainda pode vir a ser candidato a presidente?
Hoje o candidato pelo União Brasil é o Luciano Bivar. Mas a política não é uma ciência exata. Bivar saberá escalá-lo na posição certa, no momento certo. O ex-juiz se apresentou ao União Brasil despido de vaidades, pronto para atuar em qualquer posição.

Rápidas

* A polarização entre o PT e o PL segue agora no Poder Judiciário, com a apresentação de ações no TSE em que um acusa o outro de ilegalidades eleitorais. O PT moveu 24 ações contra o PL por campanha antecipada e Bolsonaro tentou silenciar os músicos da Lollapalooza.

* No papel de bombeiro, Rodrigo Pacheco está articulando a aprovação de um Projeto de Emenda Constitucional no Senado para limitar a concessão da “graça” por parte do presidente: ele não pode ter poderes ilimitados.

* A inflação e a elevada taxa de juros podem atrapalhar a reeleição de Bolsonaro. O BC anunciou na quarta-feira, 4, que a Selic chegou a 12,75%, o maior patamar em cinco anos. E vai subir mais na próxima reunião do Copom.

* Ainda se recuperando da cirurgia no fêmur, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu se afastar da presidência da fundação que leva seu nome e que foi criada em 2004: Celso Lafer assumirá seu lugar.