Aquele mesmo deputado

Para além dos bolsonaristas que levaram Jair Bolsonaro ao 2º turno em 2018, foram os antipetistas que o elegeram na disputa direta com Fernando Haddad. Após a vitória, alguns destes imaginavam que o eleito pudesse demonstrar habilidade na condução dos grandes temas nacionais. Quem assim pensava se surpreendeu nos primeiros dias de governo. Os pronunciamentos na saída do Palácio da Alvorada, as lives semanais e os diários tweets demonstravam — e segue demonstrando — que o presidente não mudou.

Espantaram-se apenas os que apostavam noutro comportamento por parte do deputado que chegou ao Planalto. O medo da volta do PT fez com que muitos acreditassem em seu aprimoramento quando assumisse a Presidência da República. Como que por um “passe de mágica”, torciam para que Jair Bolsonaro se tornasse um estadista e deixasse no passado sua conhecida truculência. Discursos e atos presidenciais têm peso muito maior do que os de um deputado federal. A ausência de inteligência emocional é deletéria para qualquer presidente da República, ainda que possa ser historicamente eleitoreira a membros do Parlamento.

O presidente deve governar para todos. Apesar disso, ao invés de promover a união nacional, gera crises contínuas. Alimenta-se politicamente dos conflitos que cria. Se antes atacava colegas parlamentares, agora ataca os demais Poderes da República, além de prefeitos e governadores. Agindo como o polêmico deputado federal, não percebe quão inadequada é sua presença em movimentos contrários ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal. Ignora a necessidade de se afastar de toda e qualquer manifestação que cogite a volta do AI-5. Atua de maneira populista, autocentrada e destemperada. Adota o ódio como método.

Acrescente-se a tudo isso a forma como desmerece sua própria equipe. Ignora as diretrizes sanitárias em plena pandemia. Estimula e participa de aglomerações, cumprimentando apoiadores. Desmerece a dor de inúmeras famílias afetadas pela Covid-19. Questionado sobre as mortes, afirma não ser coveiro. Diante de dados estatísticos, profere o inescusável: “E daí? Eu sou Messias, mas não faço milagres”.

Com o poder nas mãos, na linha Luís XIV, afirma “ser a Constituição”, chama a Polícia Federal de “sua” e vive a repetir “quem manda aqui sou eu”. Irascível, sarcástico e indecoroso, prossegue o parlamentar do baixo clero. Fala e governa apenas para “os seus”. É incapaz de perceber os próprios erros. Julga-se perfeito e inviabiliza o necessário aperfeiçoamento de sua personalidade. Será sempre aquele mesmo deputado…

Bolsonaro permanece sendo irascível, sarcástico e indecoroso, não deixou de ser um parlamentar do baixo clero. O presidente fala e governa apenas para “os seus”

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