Aprosoja Brasil não recomenda antecipação de compras de fertilizantes com guerra

São Paulo, 6 – A Aprosoja Brasil orientou nesta sexta-feira, 6, os produtores de soja a não antecipar compras de fertilizantes movidos por medo ou pressão comercial diante da volatilidade recente nos mercados internacionais de energia e insumos, provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio. “Não é o momento de antecipar compras de fertilizantes sem necessidade técnica ou financeira”, afirmou o presidente da entidade, Maurício Buffon, em nota.

A associação considerou que os preços dos fertilizantes ainda não refletem um choque estrutural como o observado em conflitos anteriores, quando houve interrupção direta de oferta e explosão de custos. A demanda global segue moderada, reduzindo a pressão sobre os preços internacionais, e o câmbio tem atuado como amortecedor, ao contrário de outras crises em que o dólar disparou.

A entidade alertou ainda que compras em excesso motivadas pela incerteza podem ter efeito contrário, abrindo espaço para oportunistas e provocando alta de preços.

De acordo com a Aprosoja Brasil, a antecipação não se justifica quando o produtor não tem clareza sobre a área a ser plantada ou o plano nutricional da lavoura, quando a operação compromete o fluxo de caixa ou aumenta a exposição ao crédito, ou quando não há risco imediato de ruptura logística para o tipo de insumo utilizado. Por outro lado, a compra antecipada pode fazer sentido quando há necessidade real de garantir disponibilidade, quando melhora a previsibilidade de margem ou quando o produtor tem condições financeiras favoráveis e avalia que o risco de alta supera claramente o risco de correção.

Para Buffon, a decisão precisa ser baseada na realidade de cada propriedade. “A decisão deve ser racional, baseada em viabilidade, planejamento e análise de margem, e não em pânico de mercado. Antecipar apenas quando fizer sentido para a realidade de cada propriedade é a melhor forma de proteger o negócio”, disse. “Decisão por medo custa caro. Decisão técnica protege o negócio”,concluiu.