Apresentadora de TV é condenada à morte por enforcamento no Egito

Sarah Khalifa e outras 11 pessoas receberam pena capital em processo sobre fabricação e tráfico de drogas sintéticas; apresentadora nega acusações e defesa afirma que vai recorrer

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Foto: Imagem ilustrativa

A apresentadora de televisão egípcia Sarah Khalifa foi condenada à morte por enforcamento por um tribunal do Cairo em um processo relacionado à fabricação e ao tráfico de drogas sintéticas. Outras 11 pessoas também receberam a pena capital no mesmo julgamento.

A sentença foi anunciada após o tribunal considerar os réus culpados de integrar uma organização criminosa envolvida na importação de matérias-primas utilizadas para produzir entorpecentes e posteriormente comercializá-los. Sarah nega as acusações, e seu advogado informou que pretende recorrer da decisão.

Mais de 750 quilos foram apreendidos

De acordo com a acusação, o grupo teria dividido funções relacionadas à importação de insumos, fabricação e distribuição das drogas. As autoridades afirmam ter apreendido mais de 750 quilos de entorpecentes sintéticos e matérias-primas durante as investigações.

Dois apartamentos teriam sido utilizados como laboratórios clandestinos. Armas e munições sem licença também foram apreendidas durante a operação, segundo as autoridades egípcias.

O processo envolveu 28 réus e foi baseado, entre outros elementos, em depoimentos de 20 testemunhas e em provas digitais, incluindo conversas, fotografias e vídeos. Além das 12 condenações à morte, nove pessoas receberam penas de prisão perpétua e outras sete foram absolvidas.

Antes da sentença, o caso passou pelo Grande Mufti do Egito, autoridade religiosa que emite parecer nos processos em que a Justiça pretende aplicar a pena capital. A consulta faz parte do procedimento previsto no país para esse tipo de condenação.

Apresentadora nega envolvimento

Sarah Khalifa contesta a versão apresentada pela acusação. Em depoimento prestado durante o processo, ela afirmou que nunca havia visto drogas antes de ser fotografada ao lado de entorpecentes nas instalações das autoridades responsáveis pelo combate ao narcotráfico.

A apresentadora foi presa em abril de 2025. Antes do processo, havia construído carreira na televisão egípcia e também trabalhado com produção de eventos e outros negócios.

A condenação ainda não representa necessariamente o encerramento definitivo do processo. A defesa anunciou que recorrerá da sentença, e os condenados podem contestar a decisão perante o Tribunal de Cassação, principal instância egípcia para recursos criminais.

Pena de morte no Egito

O Egito mantém a pena capital em sua legislação, inclusive para determinados crimes relacionados ao tráfico de drogas. A aplicação da pena de morte no país é alvo de críticas de organizações internacionais de direitos humanos.

Segundo dados citados pela Anistia Internacional referentes a 2025, centenas de sentenças de morte foram proferidas no país naquele ano. A organização defende que, de acordo com os padrões internacionais de direitos humanos, a pena capital deveria ser limitada aos chamados “crimes mais graves”, entendidos como aqueles envolvendo homicídio intencional.

Da IstoÉ