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App de voto da oposição ‘censurado’ no primeiro dia das eleições na Rússia

App de voto da oposição ‘censurado’ no primeiro dia das eleições na Rússia

A campanha para as eleições legislativas foi marcada por uma repressão sem precedentes contra os críticos do Kremlin e a mídia independente - AFP


O movimento do líder opositor detido Alexei Navalny acusou, nesta sexta-feira (17), as empresas Google e Apple de ceder às vontades do Kremlin ao suprimir de suas plataformas um aplicativo que ajuda a votar contra o partido do presidente Vladimir Putin, no primeiro dia das eleições legislativas da Rússia.

“Hoje (sexta-feira) às 8H00, horário russo, Google e Apple suprimiram nosso aplicativo Navalny de suas lojas de aplicativos. Ou seja, cederam à chantagem do Kremlin”, afirmou no aplicativo de mensagens Telegram Leonid Volkov, um opositor no exílio e um dos principais colaboradores de Navalny.

Praticamente nenhum candidato contrário ao Kremlin foi autorizado a disputar as eleições, que acontecem durante três dias (de sexta-feira a domingo) e após meses de repressão para reduzir a participação dos movimentos de oposição.

Neste contexto, os simpatizantes de Navalny adotaram uma estratégia de “voto inteligente”, por meio de um aplicativo que informa qual candidato deveria ser apoiado, na grande maioria comunistas, para derrotar os aspirantes do Rússia Unida, partido de Putin.

Correspondentes da AFP comprovaram que o app não aparece mais nas lojas virtuais da Apple e Google na Rússia.

“Suprimir o aplicativo de Navalny das plataformas é um vergonhoso ato de censura política”, escreveu no Twitter Ivan Khdanov, diretor do Fundo de Luta Contra a Corrupção, organização fundada por Navalny.

Khdanov também publicou um e-mail, enviado segundo ele pela Apple, que explica que a supressão atendeu um pedido do organismo de controle russo das telecomunicações Roskomnadzor, que argumenta que seu conteúdo é ilegal no país.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que as duas empresas apenas seguiram a lei russa. “Este aplicativo é ilegal em nosso país”, declarou.

– “Não vamos ceder” –

Durante a semana, a Rússia havia acusado Google e Apple de se recusarem a suprimir conteúdo considerado ilegal e na quinta-feira convocou os diretores das empresas para uma audiência em uma comissão parlamentar, o Conselho da Federação.

Nesta sexta-feira, o senador Andreï Klimov, presidente desta comissão, afirmou que após a “conversa” de quinta-feira, “Google e Apple chegaram à única conclusão possível”.

Várias redes sociais, começando pelo Facebook, já foram condenadas a pagar multas no país. O funcionamento do Twitter é muito lento na Rússia, por decisão do órgão regulador das telecomunicações.



“Temos todo o Estado russo contra nós, assim como as grandes empresas de tecnologia, mas isso não significa que vamos ceder”, afirmou a equipe de Navalny em uma mensagem no Telegram.

Em janeiro, Navalny foi detido quando retornou à Rússia depois de receber tratamento na Alemanha por um envenenamento que quase o matou, um ataque que ele atribui ao Kremlin.

Desde então, seu movimento foi proibido no país por ser acusado de “extremista” e vários de seus aliados foram obrigados a partir para o exílio, foram detidos ou tiveram as candidaturas vetadas.

Quase 108 milhões de russos estão registrados para escolher os 450 representantes da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento. Os resultados das eleições serão divulgados no domingo à tarde.

“Não espero grande coisa das eleições, mas estou aqui para dar minha opinião”, disse à AFP Alexander Shirokov, de 55 anos, em Vladivostok (leste).

Nesta sexta-feira, um centro de votação em uma escola de Moscou estava praticamente vazio.

“Eu gostaria que as coisas não piorassem, que algo mudasse para que nossos filhos e netos possam trabalhar”, disse Irina Koshkareva, uma aposentada de 76 anos.

O partido Rússia Unida, impopular e abalado por vários escândalos de corrupção, tem menos de 30% das intenções de voto.

Mas o partido provavelmente vencerá as eleições, pois não existe uma disputa real e os demais partidos na Duma seguem, em maior ou menor medida, a linha do Kremlin.

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