Comportamento

Após terremoto na Albânia, gritos de desespero chegam dos escombros

Após terremoto na Albânia, gritos de desespero chegam dos escombros

Socorristas trasladam um sobrevivente do terremoto que sacudiu Durres, Albânia, em 26 de novembro de 2019

Em Durres, localidade albanesa duramente afetada nesta terça-feira (26) por um terremoto que deixou 20 mortos, escutam-se gritos de desespero de habitantes ainda presos nos edifícios desabados, e também de alegria, quando os socorristas retiram dos escombros alguma vítima com vida.

A Albânia foi afetada na madrugada pelo mais forte terremoto já ocorrido neste pequeno país dos Bálcãs em décadas.

Em Durres, cidade do litoral adriático conhecida por suas praias, e em Thumane, ao norte da capital, houve edifícios destruídos. Outros ficaram muito danificados pela catástrofe.

Nesta localidade portuária que conta com 400.000 habitantes, é palpável a angústia das pessoas que esperam, em frente aos edifícios destruídos, os socorristas fazerem seu trabalho. A situação é ainda mais grave devido aos gritos que saem dos escombros.

As réplicas após o tremor inicial de 6,4 graus de magnitude acentuam o medo. Quando ocorre um novo sismo, os habitantes começam a correr em meio ao pânico, com medo de ser soterrados. Crianças choram nas ruas.

A tensão reina em frente a um edifício de cinco andares completamente desabado, onde segundo moradores há nove pessoas presas, entre elas mulheres e crianças.

“É horrível. Esperamos que saiam vivos!”, diz com lágrimas Astrit Cani, de 25 anos.

Escutam-se gritos de uma mulher que saem das ruínas onde trabalham soldados, policiais e socorristas.

– “Feliz de salvar uma vida” –

Uma mulher de cerca de 50 anos acusa os jornalistas de serem insensíveis. “Uma menina de nove anos luta aí dentro pela vida”, grita, chorando.

Perto dali, outro edifício de 10 andares está muito danificado. As pessoas estão com medo de voltar para casa. Os policiais delimitaram perímetros de segurança ao redor dos edifícios afetados.

A Albânia é conhecida por seu urbanismo selvagem, em particular nas zonas turísticas, onde um bom número de casas foram construídas sem permissão, violando as regras de segurança.

Mas às vezes a espera é recompensada por um final feliz. Na praia, os socorristas foram aplaudidos quando conseguiram retirar um jovem dos escombros do bar-hotel Miomare, totalmente em ruínas.

“Bravo, bravo”, diz a multidão aos socorristas. “Água, água”, pede o jovem antes de ser colocado em uma maca e levado a uma ambulância.

“Salvamos uma vida, estou feliz”, diz Agim, socorrista, à AFP. As operações para recuperar a vítima duraram mais de duas horas e mobilizaram 25 pessoas, que utilizaram, entre outros elementos, cordas para retirá-la de lá.

“É preciso prestar muita atenção, um passo em falso seria fatal”, acrescenta o socorrista, visivelmente emocionado. Depois, os serviços de resgate retomam suas tarefas, em busca de outros sobreviventes.

No total, 42 pessoas haviam sido resgatadas até a tarde em todo o país pelos milhares de militares, policiais e socorristas mobilizados.