Após referendo, oposição italiana se articula em vista de eleições

ROMA, 23 MAR (ANSA) – Após a derrota da reforma constitucional promovida pela premiê Giorgia Meloni em referendo na Itália, a oposição já começou a se articular para formar uma coalizão capaz de enfrentar o governo nas eleições previstas para 2027.   

Forças como o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, e o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) querem surfar na esteira da vitória do “não” na consulta popular de domingo (22) e segunda-feira (23) e realizar primárias para escolher quem desafiará Meloni nas urnas no ano que vem.   

“Chega uma mensagem política clara ao governo, que agora deve refletir e escutar o país e suas verdadeiras prioridades. É também uma mensagem para nós. O país pede uma alternativa, e nós temos a responsabilidade de organizá-la”, disse a líder do PD, Elly Schlein, que desponta como principal liderança da oposição.   

“Já existe uma maioria alternativa ao governo, e esse voto nos reveste de uma grande responsabilidade”, acrescentou a deputada, que garantiu estar “disponível” para disputar primárias do chamado “campo largo”, que reúne as principais forças de oposição à premiê.   

“Vamos derrotar Meloni nas próximas eleições”, assegurou Schlein. Já o ex-premiê e presidente do M5S, Giuseppe Conte, declarou que o resultado do referendo dá início a uma “primavera política” na Itália, em referência ao começo dessa estação no Hemisfério Norte.   

“Estamos abertos à possibilidade de primárias, que devem ser verdadeiramente abertas, como uma oportunidade para os cidadãos contribuírem para um amplo debate a fim de identificar o candidato mais competitivo”, ressaltou Conte, que governou a Itália de junho de 2018 a fevereiro de 2021, primeiro aliado à extrema direita e depois com a centro-esquerda.   

O ex-premiê e líder do partido Itália Viva (IV), Matteo Renzi, ex-PD e que hoje não integra o “campo largo” devido às suas divergências com o M5S, também defendeu que a centro-esquerda realize primárias o quanto antes. “Hoje há uma derrota evidente de Meloni. Espero que a centro-esquerda vá rapidamente às primárias porque está em condições de vencer as eleições [de 2027]”, ressaltou o ex-primeiro-ministro.   

Meloni está no poder desde outubro de 2022 e chefia o terceiro governo mais longevo da Itália republicana, mandato previsto para terminar no primeiro semestre de 2027.   

A reforma em questão promovia mudanças significativas na magistratura italiana, como a separação das carreiras de juízes e promotores, impedindo a troca de funções; a criação de um tribunal superior para disciplinar membros do Judiciário; a divisão do Conselho Superior da Magistratura (CSM), órgão de autogoverno da categoria, em duas entidades; e a alteração na forma de eleição dos membros do CSM, que passaria a ser feita por sorteio. (ANSA).