O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou que o cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, tenha acesso “pleno e imediato” à Igreja do Santo Sepulcro.
A medida foi anunciada pouco depois da meia-noite (horário israelense) desta segunda-feira (30), após o prelado italiano ter sido proibido de celebrar a missa do Domingo de Ramos em um dos locais mais sagrados do cristianismo.
“Dei instruções às autoridades competentes a fim de que seja concedido ao cardeal Pierbattista Pizzaballa acesso pleno e imediato à Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém”, disse Netanyahu no X, acrescentando que a restrição havia sido adotada devido a “repetidos” mísseis do Irã contra a cidade sagrada.
“Em um ataque, fragmentos de mísseis caíram a metros de distância da Igreja do Santo Sepulcro”, alegou o primeiro-ministro. Em seguida, ele reconstruiu os eventos que levaram à proibição da missa de Domingo de Ramos, celebração que abre a Semana Santa, o período mais importante do catolicismo.
“Para proteger os fiéis, Israel pediu aos membros de todas as religiões que se abstivessem temporariamente de praticar o culto nos locais sagrados cristãos, muçulmanos e judaicos na Cidade Velha de Jerusalém. Hoje, por especial preocupação com sua segurança, foi solicitado ao cardeal Pizzaballa que não celebrasse a missa na Igreja do Santo Sepulcro”, afirmou Netanyahu.
Segundo o premiê, assim que tomou conhecimento do incidente, ele instruiu “as autoridades que permitissem que o patriarca celebrasse missas como desejasse”.
Em um comunicado, a polícia de Israel declarou que, em coordenação com o Patriarcado Latino de Jerusalém, aprovou um “protocolo de orações limitado” no Santo Sepulcro. “Os mísseis do regime iraniano não fazem distinções de religião ou proveniência”, salientou um porta-voz das forças de segurança.
A decisão de impedir Pizzaballa de rezar a missa do Domingo de Ramos no Santo Sepulcro provocou críticas em diversos países do mundo, como Brasil e França. Na Itália, o governo da premiê Giorgia Meloni convocou o embaixador de Israel em Roma a prestar esclarecimentos sobre o caso, enquanto a União Europeia denunciou uma “violação da liberdade religiosa”.
Em seu Angelus dominical, o papa Leão XIV lamentou as restrições aos ritos da Semana Santa no Oriente Médio de maneira geral, mas não citou de maneira explícita a proibição de Israel ao acesso no Santo Sepulcro. (ANSA).