ROMA, 25 MAR (ANSA) – Após pressão exercida pela premiê da Itália, Giorgia Meloni, a ministra do Turismo do país, Daniela Santanchè, renunciou ao cargo nesta quarta-feira (25).
Em carta enviada à chefe de governo, a política afirmou que desempenhou sua função “da melhor forma possível e sem quaisquer objeções”. Além disso, declarou que “não teve dificuldade em obedecer e fazer o que foi pedido”.
“Fiz questão, e continuo a fazer, de salientar que, até o momento, os meus antecedentes criminais são imaculados e que, no caso do fundo de indenização por despedimento, não existe sequer um simples encaminhamento para julgamento”, disse.
Santanchè não escondeu “um pouco de amargura” em relação ao desfecho de sua trajetória como ministra do Turismo, mas afirmou estar “acostumada a pagar suas próprias contas e, muitas vezes, as dos outros também”.
A saída da piemontesa ocorreu após o terremoto político causado pelo referendo constitucional realizado em 22 e 23 de março. A consulta popular rejeitou uma reforma judicial promovida por Meloni, que reagiu com irritação ao resultado e, para retomar uma pauta historicamente cara à direita, decidiu demitir membros do Executivo com pendências judiciais que possam gerar desgaste.
As duas primeiras baixas foram o subsecretário do Ministério da Justiça, Andrea Delmastro, e a chefe de gabinete da pasta, Giusi Bartolozzi.
Santanchè, por sua vez, é alvo há anos da oposição devido a um processo por falsa contabilidade em sua antiga editora, a Visibilia, além de uma investigação por falência fraudulenta envolvendo a mesma companhia.
A ex-ministra pertence ao partido Irmãos da Itália (FdI), o mesmo de Meloni, e sempre contou com respaldo do governo para permanecer no cargo, apesar dos problemas com a Justiça.
Contudo, com a derrota da reforma judicial no referendo, o cenário mudou. (ANSA).