Comportamento

Após morte de Jeffrey Epstein, seus amigos poderosos ficam na mira

Após morte de Jeffrey Epstein, seus amigos poderosos ficam na mira

Sigrid McCawley, advogada de uma das supostas vítimas de Jeffrey Epstein, em coletiva de imprensa em Manhattan em 18 de julho de 2019 - AFP/Arquivos

A descoberta do corpo do bilionário Jeffrey Epstein em sua cela na prisão federal de Manhattan no sábado causou uma onda de indignação nos Estados Unidos, especialmente entre as mulheres que o acusam de abuso sexual.

Contudo, desde sua acusação, no começo de julho, os nomes de vários de seus amigos poderosos passaram por documentos judiciais e em meios de comunicação. Embora nenhum tenha sido acusado, eles podem acabar sendo envolvidos na investigação que o procurador-geral dos Estados Unidos prometeu levar à frente.

– Ghislaine Maxwell –

Filha do falecido magnata do setor de mídia britânico Robert Maxwell, Ghislaine Maxwell, de 57 anos, a quem Epstein considerava sua “melhor amiga”, agora é a principal suspeita, embora ela tenha negado qualquer envolvimento.

Algumas das supostas vítimas do investidor lhe acusam de recrutar ativamente adolescente para seu amigo, bem como de ter participado dos abusos.

Em um processo civil apresentado contra ela e Epstein em 2015, Virginia Giuffre, de 36 anos, uma das vítimas, afirma que Maxwell lhe fez refém na década de 2000 como “escrava sexual”.

– George Mitchell –

O ex-enviado especial de Bill Clinton e figura dos acordo de paz na Irlanda del Norte, mais tarde emissário especial de Barack Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, de 85 anos, também está envolvido nos documentos revelados na sexta-feira.

Virginia Giuffre afirma que Epstein e Maxwell teriam forçado-a a ter relações sexuais com Mitchell, bem como com Bill Richardson, ex-representante dis Estados Unidos na Organização das Nações Unidas durante o governo Clinton. Ambos negaram categoricamente as acusações.

– Leslie Wexner e Jean-Luc Brunel –

Leslie Wexner, bilionário à frente da L Brands, subsidiária da famosa marca de lingerie Victoria’s Secret, foi apontado por alguns como principal apoio econômico de Epstein – a quem contratou como assessor financeiro no fim da década de 1980.

Segundo o New York Times, Wexner confiava em Epstein o suficiente para lhe poder geral no começo dos anos 90 e lhe ceder sua casa em Manhattan sem receber nada em troca. Um porta-voz de Wexner garantiu que o magnata cortou todos os vínculos com seu outrora protegido há cerca de 10 anos.

O empresário francês, Jean-Luc Brunel, dono da agência de modelo MC2, também estaria envolvido. Giuffre afirma que foi forçada a ter relações sexuais com ele e que colocou-o em contato com adolescentes.

Dois membros do governo francês, Marlene Schiappa e Adrien Taquet, pediram nesta segunda-feira a abertura de uma investigação contra Epstein na França. Ele tinha pelo menos uma casa em Paris.

– Príncipe Andrew –

O nome do segundo filho da rainha Elizabeth II, de 59 anos, é frequentemente mencionado por supostamente ter tido um vínculo de amizade com Epstein.

Giuffre acusa Ghislaine Maxwell de tê-la obrigado a ter relações sexuais com ele, e outra mulher o acusou de comportamento indecente. O Palácio de Buckingham negou em diversas ocasiões qualquer comportamento inapropriado.

– Donald Trump, Bill Clinton –

Até agora, ninguém sugeriu que as supostas vítimas de Epstein tenham qualquer vínculo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou o ex-presidente Bill Clinton.

Mas seus nomes foram mencionados por terem viajado nos aviões particulares de Epstein, que frequentava o exclusivo clube Trump de Mar-a-Lago, na Flórida.

O presidente citou, no sábado, teorias da conspiração que insinuaram uma conexão entre a morte de Epstein e Bill Clinton.